Fundo de investimentos: aprenda como varia o valor da cota do fundo

Valor da cota varia diariamente de acordo com custos e retorno do investimento, come-cota reduz número de cotas para refletir IR a cada seis meses

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SÃO PAULO – Se você pensa em investir em fundos de investimentos, mas não tem a menor idéia do que isso possa ser, tranqüilize-se, pois, por mais complicado que pareça, na verdade entender o que são e como funcionam os fundos de investimentos é simples.

Os fundos de investimentos representam uma combinação dos recursos de vários investidores, que possuem as mesmas características e metas para aumentar os retornos dos investimentos, sendo que estes recursos são administrados por especialistas do mercado financeiro.

O que são fundos de investimentos?

Em outras palavras, os fundos de investimentos, também chamados de fundos mútuos, reúnem os recursos dos cotistas (ou investidores) e aplicam em diversos ativos do mercado financeiro, o que dificilmente algum dos investidores conseguiria fazer individualmente. Juntos, estes investidores têm mais poder de barganha, o que permite ao administrador do fundo acesso a taxas mais atrativas, por exemplo.

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Entre as vantagens, podemos lembrar que os recursos são administrados por profissionais de bancos e administradores de recursos experientes, que, através de sua experiência, buscam maximizar o retorno dos recursos investidos no fundo para uma dada estratégia de investimento estabelecida.

E é ai que a sua participação, como investidor é importante. Cabe a você definir qual o seu objetivo ao investir em um fundo, em termos de prazo, risco, retorno. Somente quando tiver uma idéia clara desses objetivos é que poderá escolher a o fundo cuja estratégia de investimento é mais adequada ao seu objetivo. Uma vez escolhido o fundo, aí sim você pode deixar a administração dos recursos na mão do gestor.

Cotista ou investidor?

Para aplicar seus recursos em algum fundo de investimento, você se torna cotista deste fundo e passa a registrar variações em seu patrimônio, de acordo com o patrimônio total do fundo, que é dividido em cotas de aplicação.

Supondo que exista um fundo cujo patrimônio é de R$ 1.000.000,00 e no qual são vendidas cotas de R$ 10,00. Nesse caso, o total de cotas seria de 100.000 e, caso quisesse investir R$ 1.000,00, você teria que comprar o equivalente a 100 cotas deste fundo. O valor destas cotas muda diariamente, dependendo do retorno gerado pela carteira de investimentos que aplica todos os recursos do fundo.

Para entender o quanto ganhou ao investir basta, portanto, multiplicar o número de cotas que possui pelo seu valor no dia em questão, sendo que esse valor pode ser encontrado nos sites das instituições, ou nos principais jornais do País.

Mas como varia o valor da cota?

Vamos assumir, por exemplo, no exemplo acima que, passado um ano, o patrimônio do fundo tenha aumentado para R$ 1.250.000,00 e que não tenham sido emitidas novas cotas. Nesse caso, o retorno bruto da carteira do fundo no ano foi de 25%.

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Porém, você talvez não obteria esse retorno se estivesse investindo sozinho e se não contasse com a ajuda e experiência do gestor. Portanto, em troca precisa pagar uma taxa de administração, que, em geral, é expressa em uma base anual. A título de ilustração vamos assumir que no caso acima ela fosse de 2% ao ano. Isso significa que a gestão dos recursos custou aos investidores R$ 20.000,00.

Nesse caso, o valor da cota do fundo ao final do ano seria calculado como sendo o valor dos ativos já descontados os gastos com a taxa de administração, ou seja, R$ 1.230.000,00, que deve ser dividido pelo número total de cotas, no caso 100.000. Na prática isso se traduziria em um valor da cota de R$ 12,30, o que multiplicado pelas 100 cotas que o investidor possui seria equivalente a R$ 1.230,00, ou um ganho de R$ 230 (ou 23%) antes dos impostos.

Por dentro do come cotas

Esse resultado não inclui, contudo, o chamado come cota, ou seja, o recolhimento semestral automático de imposto de renda que é feito nos fundos de investimentos e que reduz a quantidade de cotas do cliente ao longo do tempo.

Sob a nova legislação, o recolhimento semestral de IR é feito sob alíquota única de 15% para os fundos de ações e alíquotas que variam entre 22,5% e 15% para outros fundos, dependendo da duração dos títulos que compõem sua carteira. Para simplificar, vamos considerar uma alíquota de 15%.

Vamos assumir também que o retorno de 25% registrado pelo fundo antes de taxas e impostos tenha sido resultado de um retorno mensal médio de 1,87%, em seis meses o ganho seria de 11,8%, e é sobre ele que será descontado o IR de 15%.

Porém, como não é possível ajustar o valor da cota para o imposto devido, pois isso varia de acordo com o prazo de investimento de cada investidor, a solução encontrada foi ajustar o número de cotas que o investidor possui de forma a que reflita esse imposto. No caso em questão após o retorno e desconto da taxa de administração a cota desse fundo valeria R$ 11,08!

Caso fossem mantidas as 100 cotas do investidor, ele teria o equivalente a R$ 1.108,00, mas uma vez deduzidos 15% dos R$ 108 (R$ 16,20) que obteve como ganho, o seu investimento cai para R$ 1.091,80. Mas, como o valor da cota subiu para R$ 11,08, isso significa que o investidor agora tem cerca de 98,53 cotas ao invés das 100 que originalmente possuía.

Apesar de parecer difícil à primeira vista o conceito permite muita transparência para a aplicação, uma vez que o investidor pode acompanhar, a qualquer momento, o valor do seu investimento.

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