Publicidade
SÃO PAULO – Será que chegou o momento de resgatar o dinheiro e migrar para um outro tipo de aplicação? Essa é uma pergunta bastante freqüente de quem aplica em fundos de investimentos, especialmente em épocas de forte instabilidade da economia como a atual.
Influenciados pelas oscilações do mercado financeiro, muitos investidores tomam decisões precipitadas e realizando mudanças em suas carteiras exatamente na hora errada. Antes de pensar em qualquer alteração na composição de seus investimentos, é preciso estabelecer uma estratégia, com objetivos claramente definidos.
Traçar objetivos: primeiro passo para quem investe
Mais importante que investir de acordo com seu perfil, traçar objetivos é o ponto de partida para qualquer investidor. Divididos entre aumentar e proteger seu patrimônio, a maioria dos investidores não sabe o que fazer.
Em geral, a regra básica para quem está aplicando seu dinheiro é a diversificação, nunca aposte todas as fixas no mesmo número. Dessa forma, você estará reduzindo o risco de sua carteira. Mas a diversificação deve ser modificada ao longo do tempo. Quando mais perto da aposentadoria, menor deve ser o grau de risco de suas aplicações.
Com o intuito de proteger seu patrimônio, os investidores devem priorizar aplicações mais seguras, que muitas vezes podem ter rentabilidade mais atrativa do que aplicações mais arriscadas. Este é o caso, por exemplo, dos fundos DI e de renda fixa, que com a elevação dos juros representam uma boa oportunidade de investimento a risco relativamente baixo.
Ambos são bons exemplos de aplicações conservadoras, indicadas para proteger seu dinheiro e reduzir o impacto da volatilidade do mercado no seu bolso. São aconselhadas, sobretudo, para quem visa o curto prazo.
Continua depois da publicidade
Por outro lado, aqueles de olho em prazos mais longos, têm a possibilidade de aumentar a rentabilidade de seus investimentos, aplicando em ações, por exemplo. Nesse caso, o investidor tem duas opções: aplicar diretamente via corretoras, ou através de fundos de investimento. Independente da forma como pretende investir, não se esqueça que o grau de risco é bem mais elevado, e qualquer intempérie do mercado afetará essas aplicações.
O investidor deve, portanto, entrar sabendo que seu dinheiro poderá apresentar forte volatilidade, seguindo o humor do mercado. Porém, quando olhamos com um horizonte mais amplo, as ações registram, em geral, retornos mais elevados. É uma questão de disciplina e persistência. Por outro lado, quando se aproxima do período da aposentadoria, é preciso transformar esses ativos mais voláteis em aplicações mais seguras, como as de renda fixa.
Taxas de administração versus rentabilidade
O que é normalmente observado nos investidores à procura de fundos, é que a maioria deles investe conforme o histórico de suas rentabilidades. Acreditam que quanto maior o rendimento, melhor é o fundo. Isso, em parte, é bastante perigoso, já que o retorno de um investimento está intimamente atrelado ao seu risco.
Continua depois da publicidade
De modo geral, os retornos dos diversos fundos DI do mercado são parecidos. Isto porque como se trata de fundos referenciados que têm que obter retorno em linha com um indexador pré-estabelecido, no caso do CDI, existe pouca margem para inovar e em geral os gestores aplicam o dinheiro dos fundos nos mesmos ativos.
Um indicador que costuma ser bem eficiente é a taxa de administração. Altas taxas cobradas pelos bancos podem comprometer a rentabilidade de seu investimento. Se você está pagando caro por suas aplicações, talvez seja a hora de trocar de fundo. Quanto maior o montante investido, menor tende a ser a taxa de administração, portanto vale a pena pesquisar, taxas acima de 2% para um fundo DI são inaceitáveis.
Cobrança de impostos diminui ao longo do tempo
Continua depois da publicidade
Com a introdução da CPMF, Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, que deve se manter pelo menos até o final de 2004, o investidor foi obrigado a pensar duas vezes antes movimentar o dinheiro.
Com a alíquota de 0,38%, quem aplica R$ 100 mil num fundo e deseja migrar para outro, terá que pagar quase R$ 760 só de CPMF. Isso porque na hora de resgatar o dinheiro do primeiro fundo, será preciso transferi-lo para a conta corrente, pagando uma vez o imposto (R$ 380) e novamente para movimentá-lo para o outro fundo (mais R$ 378,5).
Algumas instituições restituem o valor aos clientes, mas é preciso deixar o dinheiro aplicado por pelo menos três meses. Nesse sentido, o investidor deve priorizar os bancos que devolvem o valor cobrado com o imposto, deixando suas aplicações por mais tempo.
Continua depois da publicidade
No que diz respeito ao Imposto de Renda, a partir de 2002 começou a ser cobrada uma alíquota única de 20% sobre a rentabilidade dos fundos, antes os fundos de ações pagavam apenas 10% de imposto. A cobrança do IR, no entanto, é feita de maneira distinta entre as aplicações.
No caso dos fundos de renda fixa, o imposto é cobrado mensalmente, enquanto nos fundos de ações, a cobrança só é feita na hora do resgate, possibilitando o diferimento ao investidor. Isso faz com que investimentos em fundos de ações sejam mais vantajosos no longo prazo, sob o ponto de vista fiscal.
Outro imposto que pode ser reduzido, ou até mesmo eliminado de suas aplicações é o IOF, Imposto sobre Movimentação Financeira. Funcionando de forma regressiva, a alíquota é aplicada sobre os rendimentos das aplicações resgatadas nos primeiros 29 dias. Portanto nem pense em retirar seu dinheiro antes de um mês. O bom investidor não é aquele que aplica uma grande quantia de dinheiro, mas sim aquele que aplica periodicamente. O importante é aplicar sempre, e não necessariamente muito.