Publicidade
SÃO PAULO – Em termos nominais, o real valorizou-se mais de 100% frente ao dólar desde o início do governo Lula. Reflexo de uma balança comercial robusta e da atratividade oferecida a investidores estrangeiros.
Para os analistas do Deutsche Bank, ambos os fatores tendem a seguir sustentando a valorização cambial no próximo ano: “Todos os principais itens do balanço de pagamentos brasileiro mostrarão superávit em 2008”.
O banco alemão crê que a demanda pela renda variável nacional continuará forte, dado o crescimento econômico do País e a queda da taxa básica de juro. Contudo, a Selic não cairia a ponto de barrar as operações de carry trade que impulsionam o real.
Premissas reveladas, os analistas projetam um balanço de pagamentos bastante favorável, de aproximadamente US$ 50 bilhões para o próximo ano. Razão suficiente para que o real mantenha sua trajetória corrente, se as autoridades públicas permitirem.
Instrumentos à disposição
A magnitude de valorização do real dependerá da postura do governo e do Banco Central, avalia o Deutsche Bank. Já que essas autoridades dispõem de muitos instrumentos capazes de influenciar o mercado cambial.
- Controle de capitais
Até agora, o governo não dá sinais de ameaça ao fluxo irrestrito de capitais. Contudo, limites regulatórios a transações cambiais de curto prazo não seriam uma surpresa, afirmam os analistas.
- Disciplina orçamentária
Cortes nos gastos públicos aliviariam pressões inflacionárias, ajudando o BC a reduzir a taxa Selic e conter a queda do dólar. Porém, tal iniciativa é vista pelo Deutsche como tão apropriada quanto improvável.
- Acompanhando o Fed
Mediante novos cortes na Fed Funds Rate, o Banco Central brasileiro pode optar por seguir as tendências globais em política monetária e reduzir a Selic.
- Intervenção cambial
Novas compras de dólares pelo BC também não estão descartadas, embora sua utilidade marginal seja cada vez menor, dado o atual nível de reservas internacionais. Mas mesmo que a autoridade monetária intervenha, haverá sobras cambiais alimentando o real.
R$ 1,60 em 2008
O real certamente está fortalecido, afirma a equipe do Deutsche Bank, embora sem exagero frente aos padrões históricos. Isso não descarta a hipótese de desvalorização, mas restringe-a ao meramente temporário.
Continua depois da publicidade
Pela análise fundamentalista do banco alemão, a moeda norte-americana continuará caindo frente ao real, até alcançar R$ 1,60 em 2008.