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SÃO PAULO – Em retrospectiva para o ano de 2013 sobre os bancos brasileiros, reportagem do Financial Times destacou que as instituições estão prestes a receber uma lição histórica, tendo como referência as reinvindicações sobre as perdas sofridas pelos poupadores durante a época de hiperinflação, que poderia levar a um custo de US$ 65 bilhões. O FT ressalta que esta seria uma lição de história bastante cara e que o governo vem lutando para que o STF (Supremo Tribunal Federal) adie as suas conclusões. “Essa é uma das muitas nuvens no horizonte para os bancos brasileiros”, ressalta o jornal.
Contudo, a publicação faz uma ressalva, destacando que o setor continua “surpreendentemente robusto”. Isso apesar de uma desaceleração da economia, cujo crescimento caiu para cerca de 2% em 2013 ante 7,5% em 2010, a situação parece estar bastamte tranquila para as instituições. A inadimplência acima de 90 dias do Itaú Unibanco (ITUB4), o maior banco do Brasil em valor de mercado, foi de 3,9% da carteira de crédito no terceiro trimestre, contra 5,1% um ano atrás.
E ressalta que, se a inadimplência se tornar um problema, ela deve atingir de forma mais forte os bancos públicos, que são os grandes vetores para o crescimento do crédito nos últimos anos, com os bancos privados diminuindo o crédito após a crise financeira. O FT ainda destaca que, embora a taxa de empréstimos esteja caindo, os bancos listados em bolsa, que incluem o Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4), além do Itaú, devem se beneficiar do aumento da taxa de juros, podendo esperar até por margens líquidas mais elevadas.
Eles destacam ainda que as ações do Itaú e do Bradesco estão sendo negociadas em uma relação entre preço e o valor contábil de 2 vezes, o dobro do nível de espanhol Banco Santander – que tem uma grande presença no Brasil – e três vezes maior do que o Deutsche Bank. Os bancos brasileiros não sofreram uma crise financeira calamitosa e seu desempenho superior é merecido. As ações ora parecem caras mas, se os bancos ultrapassarem a maré econômica ruim, poderá haver mais espaço para onde ir”, afirma a publicação.