Reflexo do Brexit

Frexit, Nexit e Grexit: a “sopa de letrinhas” que pode abalar os mercados nos próximos meses

Os próximos meses podem marcar três novas decisões sobre países europeus que podem deixar a União Europeia

SÃO PAULO – O ano passado na Europa foi marcado pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia e muito sem tem falado sobre os próximos países que podem tomar a mesma decisão em um futuro próximo. A sopa de letrinhas dos “exits” na região pode ter três novidades em 2017, sendo que duas decisões devem ocorrer como consequência de eleições presidenciais.

Apesar de um cenário preocupante para o futuro do Eurogrupo, a decisão mais preocupante será a da França, que decide em maio seu novo presidente e que uma vitória da líder populista Marine Le Pen pode não só definir pela saída do país como colocar em xeque a existência da União Europeia. Confira os três países que podem deixar o grupo nos próximos meses:

Nexit
O primeiro cenário que poderemos ver é o “Nexit”, com a saída da Holanda (Netherlands) do bloco europeu. A decisão depende das possibilidades eleitorais de Geert Wilders, líder do grupo euro-cético e populista, o Partido pela Liberdade (PVV). Wilders prometeu realizar um referendo caso ele vença a eleição marcada para 15 de março e as últimas pesquisas de opinião sugerem que ele está na liderança para garantir a maioria dos votos.

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No entanto, parece improvável que ele ganhe apoio suficiente para formar um governo majoritário e as opiniões radicais do PVV parecem ter efetivamente descartado as perspectivas de coalizão do partido. “Apenas o PVV tomou uma postura claramente pro-Nexit”, disse a equipe de analistas do Deutsche Bank em relatório

Enquanto isso, outros partidos holandeses têm sido mais cautelosos, sugerindo votações em separado para diferentes pontos do acordo, em vez de tomar uma decisão apenas “dentro ou fora” da União Europeia. Mesmo assim, uma pesquisa recente do Deutsche concluiu que, mesmo se houvesse um referendo vinculativo, a maioria das pessoas nos Países Baixos não gostaria de deixar o bloco da UE.

Frexit
A possível separação mais comentada neste momento é a da França (Frexit), onde Marine Le Pen, líder da Frente Nacional anti-imigração e populista (NF), prometeu renegociar os termos da adesão do país à UE se for eleita presidente em maio.

Segundo a CNBC, as chances dela vencer parece limitadas, já que as últimas pesquisas de opinião sugerem que ela seria derrotada na segunda e última rodada de votação pelo ex-ministro da economia e candidato independente, Emmanuel Macron ou pelo candidato de centro-direita François Fillon.

Porém, não há como descartar as chances de vitória de Le Pen, principalmente considerando as surpreendentes vitórias de Donald Trump nos Estados Unidos e do próprio Brexit. “Em muitos aspectos, tudo isso é uma reminiscência da preparação para a Brexit”, disse Jörg Krämer, economista-chefe do Commerzbank, em relatório.

“Naquela época, o então britânico Cameron (primeiro-ministro) queria negociar com os outros membros da UE para obter mais margem de manobra para o Reino Unido e colocar o resultado em um referendo. No entanto, Marine Le Pen provavelmente alcançará menos do que Cameron a este respeito, e a França deixando a UE teria repercussões muito maiores do que Brexit”, acrescentou Krämer. Um Frexit poderia culminar no fim da União Europeia, dizem especialistas.

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Grexit
Em uma decisão que não dependeria do resultado de eleições, a saída da Grécia está relacionada à crise financeira que o país passa. Tem ganhado força este cenário conforme legisladores gregos ficam cada vez mais pressionados pela UE e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para superar o impasse atual sobre o seu pacote de resgate.

A Grécia está atualmente em um terceiro programa de resgate avaliado em 86 bilhões de euros (US$ 92 bilhões), embora a implementação das medidas de austeridade do país tenha levado a preocupação da UE e do FMI.

A agência de notação de crédito da Moody’s projetou que, embora eles esperem que o governo do país possa atender às demandas, o potencial para que sejam convocadas eleições gerais na Grécia é evidente.

Krämer, do Commerzbank, manifestou preocupação com o fato de as exigências da UE de maior austeridade não estarem sendo ouvidas em Atenas. “Uma vez que as duas posições são irreconciliáveis, outra crise parece estar em andamento”, sugeriu.