Ações caem mais de 3%

Frete do Prime derruba lucro da Amazon, mas analistas estão otimistas: “é o preço do crescimento”

Após o fechamento do pregão, as ações chegaram a cair 8,6%, mas mercado não vê grandes problemas

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SÃO PAULO – A Amazon registrou um lucro líquido de US$ 2,13 bilhões (US$ 4,23 por ação) no terceiro trimestre de 2019, o que representa uma queda de 26% em relação ao mesmo período do ano passado.

Após o fechamento do pregão, as ações chegaram a cair 8,6%. Mas na manhã desta sexta-feira (25), a queda amenizou e os papeis caiam 3,7% às 10h30.

Entre os principais aspectos que impactaram o lucro estão o aumento de 26,4% das despesas operacionais, para US$ 66,8 bilhões, pressionadas principalmente pelo serviço “Amazon Prime”, especificamente a parte que concede ao cliente frete grátis em um dia.

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O custo de frete da Amazon subiu 46% no mundo quando comparado ao mesmo período de 2018, chegando a US$ 9,6 bilhões.

Este aumento das despesas também aconteceu devido a alta de 25% dos custos de vendas (para US$ 41,3 bilhões), de 44% das despesas com marketing (para US$ 4,75 bilhões) e alta de 28,4% dos custos com tecnologia e conteúdo (para US$ 9,2 bilhões) – muitos investimentos que impactaram diretamente o resultado final da companhia.

De acordo com Brian Olsavsky, diretor financeiro da empresa, a Amazon excedeu os US$ 800 milhões que disse que gastaria no segundo trimestre para implantar a entrega de um dia. Além disso, ele apontou um grande investimento adicional no terceiro trimestre e alertou que há mais custos por vir.

“Então, ao entrar no quarto trimestre, teremos uma despesa de quase US$ 1,5 bilhão devido ao valores de frete, que é essencialmente o custo do transporte, o preço por expandir nossa capacidade de logística”, afirmou na teleconferência de resultados.

Embora a empresa tenha deixado a desejar em relação ao lucro, a receita líquida total da Amazon subiu para US$ 69,98 bilhões – uma alta de 23,7%.

Ainda, as vendas líquidas aumentaram 24%, para US$ 70 bilhões no terceiro trimestre, em comparação com US$ 56,6 bilhões no mesmo período de 2018.

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Para Olsavsky, valeu a pena cada centavo gasto no trimestre. “Estamos muito satisfeitos com a resposta do cliente com a entrega em um dia. Você pode ver isso em nossa aceleração de receita”, afirmou o executivo.

Como o mercado enxerga o resultado

Embora a empresa tenha relatado a perda de ganhos no trimestre, os analistas continuam otimistas, afirmando que o déficit “é o preço do crescimento”. Charlie O’Shea, analista de Amazon da Moody’s, chamou os gastos de “estrategicamente necessários”.

“Continuamos com nossa visão de que a robusta liquidez da Amazon, com mais de US$ 42 bilhões em caixa e investimentos de curto prazo, bem como os US$ 2,3 bilhões em receita operacional constante da AWS [Amazon Web Services] por trimestre, fornece à empresa uma pista significativa para continuar com sua miríade investimentos necessários”, afirmou.

A consultoria KeyBanc Capital Markets destaca o quanto a Amazon pode ganhar com o desenvolvimento de entregas de um dia.

“Com uma quantidade significativa de participação de varejo em disputa, dadas as falências tradicionais de varejo em andamento, a Amazon está claramente assumindo uma participação excessiva”, afirmou o analista Edward Yruma.

“O investimento para entregas de um dia e a AWS ajudarão a impulsionar o crescimento sustentado a longo prazo e esperamos alavancagem no médio prazo”, avalia.

A entrega de produtos em um dia é um dos diferenciais entre a Amazon e seu principal rival, Walmart.com. “A capacidade de oferecer efetivamente todo o sortimento Prime em um dia é um diferencial da seleção mais focada do Walmart.com”, disse a KeyBanc.

Jack O’Leary, analista sênior da Edge by Ascential, também observa a maneira pela qual a Amazon está transformando o varejo.

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“Os investimentos da Amazon em fornecer uma experiência de compra superior por meio da velocidade de entrega hoje estão levando os negócios de varejo a crescerem massivamente (mais rápido do que em qualquer trimestre nos últimos dois anos)”, disse O’Leary.

“Parece que, da maneira típica da Amazon, a empresa está se posicionando à frente do grupo competitivamente falando – mas hoje tem de lidar com quedas no preço das ações”.

Mas a Amazon não está apenas se posicionando como líder de varejo, de acordo com o Susquehanna Financial Group. “Permanecemos positivos na Amazon. Vemos a empresa como um cultivador secular de longo prazo, com posições de liderança em três mercados de grande crescimento – comércio eletrônico, nuvem e publicidade”, afirmou o analista chefe da casa Shyam Patil.

Mesmo com a AWS, ou negócios em nuvem, paralisados, não são uma grande preocupação, porque “ainda é cedo e espera-se que o crescimento e as margens da AWS continuem sendo vendidos no curto e no longo prazo”, acredita a consultoria.

Susquehanna reiterou a recomendação de compra, mas reduziu seu preço-alvo de US$ 2.250 para US$ 2.200.

O time da Benchmark  Company também não está intimidados pela reação das ações.

“Ainda acreditamos que nossa tese de investimento inicial mais agressivo em um horizonte de tempo mais curto permanece no caminho, embora, como costuma ser o caso da Amazon, subestimemos significativamente o nível desse gasto inicial”, afirmou o analista Daniel Kournos.

A casa de análise tem recomendação de compra para a empresa e preço de US$ 2.100.

Projeções

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A empresa divulgou também na última quinta-feira (24), suas projeções para o quarto trimestre de 2019. A expectativa é de receita líquida entre US$ 80 bilhões e US$ 86,5 bilhões, crescimento de 11% a 20% ante o quarto trimestre de 2018.

O lucro operacional deve ser entre US$ 1,2 bilhão e US$ 2,9 bilhões, na comparação com US$ 3,8 bilhões no mesmo período de 2018.

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