Freddie Mac e Fannie Mae: pivôs ou vítimas da crise do subprime nos EUA?

Ações de duas das maiores instituições financeiras dos EUA chegaram a perder metade do valor em um dia

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SÃO PAULO – A crise do mercado imobiliário norte-americano e seu impacto sobre o mercado de ações parece estar se aproximando das previsões mais pessimistas. Os principais índices das bolsas norte-americanas já acumulam perdas superiores a 20% em 2008, o que, de acordo com a tradição, caracteriza um bear market, ou seja, um mercado em tendência de queda.

Porém, nenhum segmento tem sofrido mais do que o financeiro. Ações de grandes conglomerados acumulam perdas significativas em 2008, como o Bank of America, que registra queda acumulada de quase 46% no ano, ou o Citigroup, com recuo de 43% no mesmo período. Se isso não soa suficiente, o que ocorreu com duas das mais tradicionais empresas do setor na sexta-feira evidencia a profundidade da crise.

Freddie Mac e Fannie Mae

No pregão de 11 de julho as ações das duas maiores empresas de financiamento do mercado imobiliário patrocinadas pelo governo norte-americano mostraram a maior volatilidade de suas histórias. Os papéis da Federal National Mortgage Association, conhecida como Fannie Mae, fundada em 1938 e com receitas superiores a US$ 44 bilhões em 2007, chegaram a registrar perdas de 49%, para fechar com baixa de “apenas” 22,3%.

Já as ações da Federal Home Loan and Mortgage Corporation, ou Freddie Mac, empresa com objetivo e porte semelhante da Fannie Mae, chegaram a amargar desvalorização de 51%, para encerrar o dia em baixa de 3,13%. A forte volatilidade deveu-se à proliferação de diversos rumores de que o governo norte-americano poderia ou não prover suporte às empresas ou mesmo absorver as duas companhias.

Este tipo de variação e volatilidade evidencia que os investidores hoje consideram ambas como empresas de risco muito elevado. Mas não é isso que o mercado sempre apostou.

Quase risco soberano no passado

Há poucos anos, a percepção era completamente diferente. No mercado de renda fixa, os títulos tanto da Freddie Mac como da Fannie Mae eram considerados uma alternativa de diversificação em relação aos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries. De fato, as taxas de retorno das obrigações, então classificadas como ‘AAA’ pelas agências de rating, eram apenas ligeiramente superiores aos papéis do governo dos EUA.

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Isso porque o mercado sempre acreditou em uma garantia implícita, ou seja, o governo norte-americano poderia trazer algum tipo de suporte, caso na época remotíssimo risco de inadimplência incomodasse. Mas o mundo mudou e o fato de que não existe uma garantia governamental explícita hoje pesa muito mais, sobretudo para empresas seriamente abaladas pelo forte aumento da inadimplência no segmento imobiliário.

O destino das empresas parece claramente vinculado à vontade política dos EUA. Com necessidade de capital superior a US$ 75 bilhões segundo relatórios de diversos bancos de investimento, o mercado parece pôr em dúvida o futuro de ambas no modelo atual. Resta, portanto, aguardar para ver até que ponto o debate entre economia de mercado e intervencionismo se desenrola nos EUA.