SUSTENTABILIDADE

Fornecedor agrícola tem que ser sustentável, dizem Unilever e McDonald’s

Quem quiser ser parceiro dos dois gigantes precisa tocar o seu respectivo negócio sob o prisma da sustentabilidade

SÃO PAULO – O fornecedor de produtos agrícolas que quiser ser parceiro de empresas como, por exemplo, Unilever e McDonald’s, tem que tocar o seu negócio sob o prisma da sustentabilidade, buscando o respeito socioambiental como atributo-chave para o desempenho financeiro positivo de sua atividade. Foi o que afirmaram executivos das duas empresas, responsáveis pela gestão dos fornecedores de suas companhias, durante o seminário “Cadeia de Fornecimento Responsável”, realizado nesta semana em São Paulo (SP).

Segundo Claudia Basseto, da Unilever, o “compliance” com as legislações trabalhista e ambiental são imprescindíveis para que um produtor rural e/ou agroindústria se torne fornecedor da multinacional, que tem um amplo portfólio de produtos, entre os quais, claro, alimentos, que usam matérias-primas do campo em sua fabricação. “Isso é uma questão inexorável, intrínseca ao nosso negócio.”

De acordo com Claudia, o cuidado da Unilever com a sustentabilidade de sua cadeia de fornecedores agrícolas é tamanha que a empresa tem uma política específica para o setor rural. “Todos nossos fornecedores de frutas, legumes, verduras, bem como café, temperos, entre outros produtos, têm que se adequar aos nossos padrões de sustentabilidade”, disse a executiva, acrescentando que as exigências também envolvem a adoção de boas práticas no campo, manejo correto de produtos químicos, entre outras medidas. “Enxergamos esta nossa política de gerenciamento de riscos muito mais como oportunidade do que como ameaça a nossos parceiros.”

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Carne sustentável

Também palestrante no seminário, que foi organizado pela DNL, Leonardo Lima, da Arcos Dourados/Mc Donald’s no Brasil, assinalou que a rede de fast-food trabalha, sob o guarda-chuva do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), para definir um protocolo que estabeleça para toda a cadeia produtiva da carne bovina, os requisitos que definirão, de modo claro e objetivo, o que poderá ser considerado um produto sustentável. “Ainda não se tem total clareza do que podemos chamar de ‘carne sustentável’, então é preciso definir com transparência, e com a participação de todos os elos da cadeia produtiva.”

Segundo Lima, este documento está em fase de consulta pública e, em breve, estará disponível. De acordo com o executivo do Mc Donald’s, de maneira geral o fornecedor de carne da rede tem que seguir preceitos relacionados a desmatamento ilegal zero, respeito às pessoas e aos recursos naturais, assim como bem-estar animal, entre outros pontos.

O executivo ressaltou, ainda, que a preocupação com a sustentabilidade também abrange não só os fornecedores de carne bovina, como também de outros produtos, como, por exemplo, café, peixes, frango, entre outros.