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Foi apenas o tarifaço? Os outros motivos que fazem o Ibovespa cair nesta quinta-feira

Cenário para as commodities e pressão na Bolsa de Nova York também impactam os ativos

Equipe InfoMoney

(Imagem: Markus Winkler/Unsplash)
(Imagem: Markus Winkler/Unsplash)

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O Ibovespa recuava na sessão desta quinta-feira, 16, acompanhando a maioria dos índices das bolsas em Nova York, mas amenizava a queda no início da tarde após chegar a cair mais de 1% logo após a abertura de Wall Street.

Na quarta, o Ibovespa fechou em baixa de 0,36%, aos 176.010,90 pontos. Às 11h46 desta quinta-feira, o Índice Bovespa cedia 0,63%, aos 174.894,74 pontos, ante recuo de 1,22%, na mínima em 173.871,39 pontos, após máxima aos 176.011,31 pontos, com variação zero, e abertura em 176.009,92 pontos, estável.

O mercado digere principalmente a confirmação das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, com ampliação da lista de isenções. As commodities não ajudam. O petróleo opera nesta quinta com volatilidade e o minério de ferro fechou praticamente estável em Dalian, na China.

Entre as divulgações desta quinta-feira estão dados do varejo no Brasil e nos Estados Unidos. Ainda ficam no radar as preocupações fiscais domésticas e a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que continuam sustentando a demanda por ativos defensivos.

Segundo Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, o clima de aversão a risco no exterior contamina o Ibovespa, que ainda é influenciado pela leitura de arrefecimento da atividade econômica no Brasil, que pode ser mais forte do que a esperada.

Além disso, apesar de o impacto estimado na economia real do tarifaço ser pequeno, cria um ambiente ruim. Isso, avalia Spiess, pode favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição neste ano, na qual um dos concorrentes é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

De acordo com economistas do JPMorgan, o atual cenário sugere que os impactos econômicos das tarifas sobre o Brasil tendem a ser limitados, embora uma escalada de medidas de retaliação entre os dois países possa ampliar esses custos.

“Já os efeitos políticos podem ser mais relevantes, especialmente no contexto das eleições previstas para outubro”, acrescentaram em relatório a clientes nesta quinta-feira.

Entre os indicadores econômicos, as vendas no varejo brasileiro no conceito restrito tiveram alta de 0,1% em maio ante abril, o que ficou perto do piso de 0,2% das projeções. Os dado reforça apostas de novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). Nos EUA, as vendas subiram 0,2% em junho ante maio, ficando aquém da previsão de +0,3%.

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Na noite de quarta-feira, 15, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, como punição por práticas comerciais consideradas desleais. A cobrança começará na quarta-feira da semana que vem, dia 22. Ao mesmo tempo, o USTR ampliou a lista de isenções do texto preliminar de junho.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta mostra que para 51% dos entrevistados, a responsabilidade por essa imposição é do senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.

Conforme apurou o Broadcast, o governo brasileiro vê impacto macro irrelevante de tarifas e cogita nem tomar medidas de mitigação.

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No geral, a taxação não representa um problema de maior grandeza, visto que os principais itens foram retirados, avalia Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos. “Avaliando minuciosamente, para empresas de menor porte, que têm maior concentração de faturamento nos EUA, pode ser um grande problema, em especial o setor calçadista e de autopeças”, diz.

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Além da questão das tarifas, Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimento, diz que o mercado segue monitorando a ampliação da ofensiva nos Estados Unidos contra o Irã. “Isso também é prejudicial, pois reflete na inflação global, por meio do petróleo. Consequentemente, influencia os prêmios de risco”, afirma.

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No campo fiscal doméstico, o Senado entra na sexta-feira, 17, em recesso parlamentar impondo ao governo Lula medidas de impacto bilionário nas contas públicas no longo prazo e sem votar projetos considerados prioritários pelo Planalto, como a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, o texto sobre terras raras e a PEC da Segurança Pública.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)