Focus não surpreende mercado e sinaliza novos cortes na Selic

Especialistas destacam mudança na projeção do câmbio e as recentes intervenções do Banco Central

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SÃO PAULO – O relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (26) parece não ter surpreendido o mercado, tanto que a “avaliação sobre os próximos passos da política monetária foi mantida”, afirma a equipe de analistas da LCA Consultoria.

Segundo avaliação da consultoria, a expectativa mediana ainda é que a taxa básica de juros, a Selic, recue mais 50 p.b. no início de 2012, e será mantido em 10,50% por praticamente todo o próximo ano, subindo para 10,75% somente em dezembro.

“Isto indica que o mercado segue apostando na manutenção da trajetória declinante da Selic nas próximas reuniões do Banco Central, a despeito de o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) de setembro, divulgado na semana passada, ter ficado acima do esperado”, diz a consultoria.

Essa é a mesma opinião do especialista da Concórdia Corretora, Fabio Combat. Segundo ele, as pressões inflacionárias internas aumentaram no último mês e o efeito desinflacionário do dólar, até então desvalorizado, sofreu um revés nos últimos dias.

“Supondo que o BC insista no argumento do cenário externo desinflacionário, projetamos, em linha com as sinalizações da ata, mais dois cortes na Selic (de 50 pontos-base cada) nas reuniões do Copom em outubro e novembro, com a taxa de juros encerrando 2011 em 11,00% aa. Para 2012, projetamos um corte adicional de 50 p.b., reduzindo a Selic para 10,50% a.a.”, acreditam.

Câmbio
O câmbio foi outro aspecto que chamou a atenção dos analistas na ultima edição do relatório Focus. A taxa de câmbio (fim de período) projetada tanto para 2011 quanto para 2012 subiu de R$ 1,65 para R$ 1,68.

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“Mesmo a intervenção do BC no mercado de câmbio não foi suficiente para impedir a desvalorização da moeda brasileira, que responde, em nossa avaliação, a três fatores centrais”, avalia Combat.

O primeiro fator é que a trajetória recente do câmbio decorre de um aumento rápido e forte da aversão mundial ao risco, levando à tradicional fuga para liquidez em dólar. Em segundo lugar, pesa uma deterioração da percepção do investidor externo sobre o futuro da economia brasileira, que já exibe sinais de desaceleração.

Em terceiro lugar, o economista destaca a redução do spread entre os juros interno e o internacional, acompanhando a queda da Selic, o que torna a nossa economia um pouco menos atrativa. “Assim, avaliamos que a turbulência cambial deve continuar até que a Europa encontre uma saída para o problema grego, que passa, vale dizer, por um inevitável default”, diz.

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Neste sentido o time de economistas do Santander acrescenta: “foram as turbulências no cenário internacional, sobretudo o temor de calote na Grécia, que fizeram os analistas revisarem as projeções”.

Por fim, Combat alerta. “O BC pode intervir novamente no mercado de câmbio ao longo dessa semana, para impedir uma desvalorização excessiva do Real. Há ainda rumores de que o governo pode adiar novamente o início da cobrança de IOF (Imposto Sob Operações Financeiras) sobre alterações das posições cambiais”.