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Na semana em que investidores digerem as falas do chair do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, em Jackson Hole, a segunda-feira (25) começa com atenção voltada para a economia norte-americana. Logo cedo, saem dados sobre novas moradias às 11h, enquanto os discursos de Lorie Logan, dirigente do Fed de Dallas, às 16h15, e de John Williams, presidente do Fed de Nova York, às 20h15, devem oferecer novos sinais sobre a política monetária do país.
O evento de Jackson Hole, realizado na sexta-feira, trouxe um tom considerado mais ameno por parte de Powell. Ele indicou que um corte de juros em setembro está no radar, ainda que sem compromisso explícito, reforçando que o banco central busca equilibrar os riscos entre um mercado de trabalho em enfraquecimento e pressões inflacionárias persistentes.
As repercussões foram imediatas. O dólar recuou 0,8% em relação a uma cesta de moedas, enquanto os rendimentos dos Treasuries recuaram. O papel de dois anos, mais sensível à trajetória da taxa de juros, caiu 8 pontos-base, para 3,692%, e a nota de dez anos recuou 5 pontos-base, para 4,255%. Já o índice S&P 500 subiu 1,6%, com avanço de setores mais expostos à taxa de juros.
Viva do lucro de grandes empresas
No Brasil, a agenda desta segunda-feira começa às 8h, com a divulgação da confiança do consumidor de agosto, seguida pelo boletim Focus do Banco Central (BC) às 8h25, trazendo as projeções de economistas para indicadores como inflação, juros e câmbio. Às 16h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anuncia a nova linha de crédito para a Indústria 4.0.
O que vai mexer com o mercado nesta segunda
Agenda
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia a agenda desta segunda-feira às 10h, com a cerimônia oficial de chegada do presidente da República Federal da Nigéria, Bola Tinubu. Às 10h30, participa de reunião restrita com o líder nigeriano, seguida, às 11h40, por uma reunião ampliada no mesmo local. Às 12h40, está prevista a cerimônia de assinatura de atos e, em seguida, às 12h50, Lula faz uma declaração à imprensa. Às 13h30, o presidente e a primeira-dama, Janja Lula da Silva, oferecem almoço em homenagem ao presidente Bola Tinubu, no Palácio Itamaraty. No período da tarde, às 15h40, Lula recebe o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick, no Palácio do Planalto. Às 16h, encerra a agenda com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, em anúncio da nova linha de crédito para a Indústria 4.0.
O presidente do Banco Central, Gabriel Muricca Galípolo, participa nesta segunda-feira, das 11h00 às 17h45 (horário local), do Seminário “O Futuro dos Bancos Centrais: Conferência em Comemoração ao 100º Aniversário da Fundação do Banco do México”, promovido pelo Banco do México, na Cidade do México, Estados Unidos Mexicanos. O evento será fechado à imprensa.
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Brasil
- 8h – Confiança do consumidor (agosto) –
- 8h25 – Focus (semanal)
EUA
- 11h – Novas moradias
- 16h15 – Discurso de Logan, do Fed
- 20h15 – Discurso de Williams, membro do Fomc
INTERNACIONAL
Redução de déficit
O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) estimou que o aumento de tarifas sobre importações determinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode reduzir o déficit em até US$ 4 trilhões na próxima década. A projeção inclui US$ 3,3 trilhões em cortes nos déficits primários e US$ 700 bilhões a menos em juros federais. O órgão alertou, porém, que negociações e disputas legais podem alterar as taxas atuais.
Investimentos da China
O Brasil foi o segundo maior destino dos investimentos diretos da China no primeiro semestre deste ano, atrás apenas da Indonésia, recebendo US$ 2,2 bilhões, segundo dados da American Enterprise Institute (AEI) obtidos pelo jornal O Globo. O país já ocupa posição de destaque desde 2005, com foco em matérias-primas, infraestrutura e, mais recentemente, indústria e serviços. A diversificação do capital chinês mantém o Brasil no radar mesmo com a mudança no perfil dos aportes globais.
Intimidação
O governo brasileiro avalia que o envio de navios de guerra dos Estados Unidos à costa da Venezuela busca intimidar países latino-americanos que resistem às pressões do presidente Donald Trump. Segundo fontes ouvidas pela CNN, a Casa Branca quer sinalizar que pode recorrer até mesmo à força para conter governos que contrariem seus interesses. A movimentação é vista como uma estratégia de reafirmação de influência regional, semelhante à Doutrina Monroe do século 19.
Impedimento
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de tentar impedir uma reunião com Vladimir Putin, afirmando que o encontro seria essencial para encerrar a guerra. “Os russos estão fazendo tudo o que podem para impedir a realização da reunião”, disse ele na sexta-feira em uma coletiva de imprensa em Kiev com o secretário-geral da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte.
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Moscou, por meio do chanceler Sergei Lavrov, respondeu que a cúpula não pode ocorrer porque não há uma agenda definida. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que iniciou preparativos para aproximar os dois líderes, após conversar com Putin nesta semana.
ECONOMIA
INSS
O Conselho da Justiça Federal (CJF) liberou R$ 2,9 bilhões para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) a 180,3 mil beneficiários do INSS que venceram ações na Justiça. Os valores serão pagos pelos Tribunais Regionais Federais (TRFs) e correspondem a atrasados de até 60 salários mínimos. O montante total liberado chega a R$ 3,3 bilhões, incluindo também processos de servidores públicos.
Recurso extra
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai liberar mais R$ 10 bilhões em crédito para empresas impactadas indiretamente pelas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos. Segundo o presidente Aloizio Mercadante, os recursos fazem parte de um pacote total de R$ 40 bilhões em linhas diretas e indiretas, com garantia para diferentes setores. As condições incluem juros a partir de 0,29% ao mês, prazos de até sete anos e até um ano de carência.
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POLÍTICA
Bolsonaro
A expectativa em Brasília é que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) decida sobre as últimas medidas cautelares impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (25). O que significa que Moraes pode, por exemplo, decidir converter em prisão preventiva a atual prisão domiciliar de Bolsonaro.
Emendas Pix
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de dez dias para o Tribunal de Contas da União (TCU) detalhar um total de R$ 694,6 milhões em emendas Pix que não tiveram plano de trabalho apresentado. Em decisão deste domingo, Dino determina que esses dados devem ser enviados para cada superintendência da Polícia Federal, visando à instauração de inquérito policial.
Movimentação suspeita
A Polícia Federal apontou que Jair Bolsonaro movimentou cerca de R$ 44,3 milhões entre março de 2023 e junho de 2025, segundo dados do Coaf. A maior parte entrou via Pix, sobretudo no período de campanhas de doação feitas por aliados, e parte foi destinada a gastos com advogados. O relatório indica suspeitas de lavagem de dinheiro e cita transferências a Michelle e Eduardo Bolsonaro como tentativas de ocultar recursos.
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Soberania
O governo Lula vai adotar o mote “Brasil soberano” nas comemorações de 7 de setembro, em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF e às sanções impostas pelos EUA. O desfile cívico-militar contará com 2.000 militares e arquibancadas para 30 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. Paralelamente, movimentos sociais e centrais sindicais organizarão atos em ao menos 18 capitais, defendendo soberania, democracia e direitos.
Corrida contra o tempo
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou ter conversado com mais de 20 parlamentares para tentar aprovar a medida provisória que altera regras do setor elétrico e amplia a tarifa social cujo prazo vence em 17 de setembro. Parlamentares criticam a baixa articulação do governo, enquanto o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-PE), diz trabalhar pela aprovação. A MP deve beneficiar 55 milhões de brasileiros com desconto e 60 milhões com isenção na conta de luz, sendo a tarifa social a parte mais consensual.
Sem medo
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que não se deixa intimidar pelas ameaças de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atua nos EUA para punir autoridades brasileiras em defesa do ex-presidente. Motta disse que seguirá agindo com imparcialidade e equilíbrio, tratando Eduardo como qualquer outro deputado. Representações contra Eduardo foram enviadas ao Conselho de Ética por PT, PSOL e parlamentares aliados.
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Negado
O governo negou pedido da ONU por subsídio em hospedagens na COP-30, afirmando que arca com custos e respeita limites legais de intervenção no setor privado. Até agora, 39 países concluíram reservas na plataforma oficial, e a expectativa é que todas as 190 delegações interessadas consigam participar.
Frente parlamentar
A vereadora de São Paulo Zoe Martínez (PL) quer criar uma frente parlamentar na Câmara Municipal para articular a aprovação do projeto de anistia. Ela já reuniu as 19 assinaturas mínimas de parlamentares de PL, PP, MDB, União Brasil e Podemos. Zoe diz que a anistia corrige abusos processuais e promove pacificação social, sem significar impunidade. A oposição, no entanto, diz que a opinião de Martínez sobre o assunto é controversa.
Condenada pela 2ª vez
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria e condenou a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.
O julgamento virtual do caso começou na semana passada e foi encerrado na sexta-feira (22). A parlamentar era ré no STF pelo episódio em que ela sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. A perseguição começou após Zambelli e Luan trocarem provocações durante um ato político no bairro dos Jardins, em São Paulo.
(Com Reuters e Estadão)