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SÃO PAULO – Em alta ou em baixa, o dólar sempre é pauta de acaloradas discussões no cenário político e econômico brasileiro, podendo ser considerado um exemplo clássico da máxima de que é impossível agradar a todos ao mesmo tempo.
Exportadores são a bola da vez
Atualmente, as vozes que se levantam contra a política cambial brasileira provêm dos setores exportadores. A lógica do argumento é bastante simples: a valorização do real reduz a atratividade das exportações, já que o valor pago pelos produtos, embora estáveis em reais, será maior em dólares.
Para piorar, a estrutura de custos destas empresas – a combinação entre salários e matérias-primas – é em reais, o que faz com que estas sejam duplamente afetadas. Um outro efeito negativo sobre os fabricantes brasileiros é que a queda do dólar reduz o preço em reais dos produtos importados, que, além de todo o colocado acima, ainda eleva a competição no mercado interno.
Valorização do dólar é a solução?
Depois de tudo isso, é fácil perceber que uma valorização da moeda norte-americana reduziria boa parte dos problemas. Porém, a dinâmica não é tão simples assim.
Com o dólar em altos patamares, a importação de bens de capital (máquinas e equipamentos), que são essenciais à modernização do parque industrial brasileiro, seria prejudicada, levando a reclamações de outros setores da economia, como os industriais.
Além disso, os impactos sobre a inflação e a dívida seriam perceptíveis. O primeiro, em função de um possível aumento de preços de produtos importados (petróleo, por exemplo), e o segundo, porque parte da dívida brasileira ainda está atrelada à moeda norte-americana.
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Mas o que o Governo pode fazer?
Muito pouco. O regime cambial brasileiro é flexível, ou seja, nele, a cotação do dólar (e das outras moedas estrangeiras) é obtida pelo equilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado interno.
Assim, em uma situação como a atual, com elevado fluxo de recursos estrangeiros para o Brasil, tanto pela via comercial (exportações) quanto pela via financeira (transeferência de recursos e investimentos estrangeiros para o Brasil), pouca coisa pode ser feita pelo Governo para evitar que o dólar caia.
O que pode ser feito são medidas em prol da redução da volatilidade das taxas de câmbio, com incentivos ao capital financeiro de longo prazo e com a flexibilização das regras para “internar” recursos provenientes de exportação, por exemplo.
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Como aproveitar a situação?
Se pouca coisa pode ser feita para evitar a desvalorização da moeda norte-americana e qualquer patamar desta é passível de reclamações pelos vários setores da sociedade, o negócio é aproveitar o momento e tentar tirar algum benefício desta situação.
Viagens ao exterior podem ser uma boa pedida, já que, com o dólar desvalorizado, estas ficam bem mais baratas, desde as passagens aéreas até a estadia.