Focando mercado externo e alta do petróleo, Copom pode manter a Selic em maio

Perspectiva de elevação do juro dos EUA, disparada do dólar e alta do petróleo devem influenciar decisão do Copom sobre Selic

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SÃO PAULO – Após dois meses seguidos de ligeiros cortes da Selic, o Copom (Comitê de Política Monetária) deverá manter a taxa básica de juro da economia brasileira em 16,0% ao ano em maio. Pelo menos é o que aposta a maior parte do mercado, que aponta como fatores-chave para a decisão o mercado externo e a recente alta do petróleo.

Ainda assim, alguns investidores e analistas acreditam que a autoridade monetária pode promover um ligeiro corte da Selic, reduzindo a taxa básica de juro da economia brasileira em 25 pontos base, para 15,75% ao ano, como aponta o relatório Focus, do Banco Central.

Possível alta do juro nos EUA traz preocupação

De uma maneira geral, a expectativa de uma postura mais rígida do Copom no que se refere aos rumos da política monetária deve-se, em grande parte, à possível elevação do juro norte-americano pelo Fed, o banco central dos Estados Unidos.

Atualmente, a taxa básica de juro dos Estados Unidos encontra-se no patamar de 1,0% ao ano, o menor em décadas e principal responsável pela ampla liquidez internacional, que beneficia os países emergentes, dentre eles o Brasil. Contudo, diante dos sinais mais consistentes de recuperação da economia dos EUA, o Fed poderá elevar, já em junho, o juro local.

Um fator extra para esta elevação, na opinião dos analistas, seria também a recente disparada do preço do barril de petróleo, que somente no mês de maio acumula uma alta superior a 12,0%, no mercado de Londres. Em Nova York, o preço do barril já é negociado acima dos US$ 40,00, um recorde histórico.

Dólar dispara e aumenta temor de inflação

Dessa maneira, uma possível elevação do juro norte-americano poderia ocasionar uma fuga de capitais da economia brasileira, o que fatalmente levaria o dólar a uma disparada, como já vem sendo percebido nas recentes semanas, quando a moeda norte-americana voltou a ser negociada acima dos R$ 3,14, maior patamar em nove meses.

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O que se teme, neste sentido, é que uma alta persistente do dólar pode acabar impulsionando a inflação doméstica, se refletindo inicialmente no atacado até ser repassada, posteriormente, ao varejo. Assim, uma manutenção da Selic seria a atitude mais cautelosa, já que ainda não se sabe qual será o impacto desta disparada do dólar na inflação do país.

Economia dá sinais de recuperação

Se as incertezas quanto à trajetória da inflação fornecem subsídios para uma manutenção da Selic pelo Copom em maio, pode-se dizer que os recentes indicadores sobre a atividade econômica brasileira representam um argumento extra para a decisão conservadora da autoridade monetária.

É que estes indicadores vêm mostrando, de uma maneira geral, que a economia brasileira está em uma trajetória consistente de recuperação, com a atividade industrial apresentando melhora, assim como as vendas no varejo. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial brasileira cresceu 11,9% em março, comparando-se com igual mês do ano anterior.

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O comércio varejista, por sua vez, também vem apresentando um bom desempenho. Segundo levantamento recente do IBGE, as vendas do comércio varejista registraram expansão real de 5,11% em fevereiro, também na comparação com igual mês do ano anterior. Em termos nominais, o crescimento da atividade comercial foi da ordem de 7,71%.

Percebe-se, dessa maneira, que a combinação de incertezas quanto à trajetória inflacionária e a melhora dos indicadores de atividade econômica deve, associada ao cenário externo, devem levar o Copom, em sua reunião deste mês, a uma atitude mais conservadora.