Focando cenário externo, dólar comercial fecha em forte queda

Balança Comercial dos EUA bate recorde negativo; Declarações no Brasil e no exterior traçam boas perspectivas para 2005

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SÃO PAULO – O dólar comercial fechou em forte queda nesta quarta-feira, acompanhando a tendência da moeda no mercado internacional. No cenário doméstico, o Banco Central voltou a intervir no mercado, após ficar ausente na sessão de terça-feira.

A moeda chegou a operar abaixo da barreira dos R$ 2,70, mas se recuperou no final da sessão e fechou cotada a R$ 2,700.

Déficit dos EUA em novembro bate recorde

O Departamento de Comércio norte-americano divulgou, nesta quarta-feira, os dados da balança comercial do país no mês de novembro. De acordo com os números divulgados, o saldo foi negativo em US$ 60,3 bilhões, novo recorde negativo, frente a um déficit de US$ 56 bilhões em outubro.

De acordo com os analistas, o desequilíbrio foi causado pelo forte crescimento dos gastos dos consumidores (Consumer Spending) e das importações de petróleo no período.

Mesmo assim, o secretário do Tesouro norte-americano voltou a afirmar nesta quarta-feira, que o governo norte-americano trabalha para fechar o ano com um dólar forte. O fortalecimento da moeda passaria por uma reforma no sistema de previdência do país, além da desaceleração do crescimento dos gastos dos consumidores, visando reduzir os déficits que pressionam o dólar.

BC realiza leilão de compra

Nesta quarta-feira, o Banco Central realizou o sétimo leilão de compra do ano, voltando a participar do mercado após um dia de jejum na terça-feira. De acordo com informações não confirmadas pela assessoria do banco, a taxa de corte foi de R$ 2,706 e o BC teria comprado mais de US$ 200 milhões na operação.

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As intervenções do BC foram retomadas no início de dezembro e vem sendo apoiadas pelas principais figuras governistas. O líder do governo no Senado, o senador Aloísio Mercadante, declarou nesta quarta-feira que o BC pode e deve aumentar seus níveis de reservas, protegendo o país de instabilidades e mantendo uma taxa de câmbio competitiva.

Ministro prevê reformas em março

Outra declaração que movimentou o mercado foi a do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. O ministro disse que as reformas no mercado de câmbio podem ser implementadas até março.

De acordo com as regras atuais, os exportadores devem converter a moeda estrangeira em reais num prazo máximo de seis meses, o que, em alguns casos, obriga a vender a moeda em momentos desfavoráveis a ele. A reforma prevê que o prazo seja estendido para um ano, o que proporciona melhores condições ao exportador e reduziria a oferta compulsória, o que acaba pressionando a cotação da moeda norte-americana.

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De acordo com o ministro, as mudanças na regulamentação do mercado de câmbio, somadas ao crescimento das exportações e das reservas internacionais trazem a perspectiva de um ano de valorização para o dólar em 2005.

Dólar fecha sessão em queda

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,6970 na compra e R$ 2,7000 na venda, forte baixa de 0,77% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 3,0000, representando um ágio de 11,23%
em relação ao dólar comercial.
Apesar desta queda, o dólar acumula valorização de 1,77% em janeiro, frente à baixa de 1,65% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 1,77%.

Dólar futuro na BM&F também fechou em queda

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Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em fevereiro encerrou o dia cotado a R$ 2,718, forte baixa de 0,91% em relação ao fechamento de R$ 2,743 da última terça-feira. O contrato com vencimento em março, por sua vez, fechou em forte baixa de 0,90%, atingindo R$ 2,746 frente à R$ 2,771 do fechamento deterça-feira.

Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 2,33% para março de 2005, com alta de 0,06 ponto percentual em relação ao fechamento da sessão anterior. Já o contrato referente janeiro de 2006, encerrou a 3,34%, alta de 0,08 ponto percentual em relação ao fechamento da sessão anterior.