FMI vê recuperação lenta, mesmo com medidas governamentais

World Economic Outlook de abril avalia crise financeira internacional e perspectivas de retomada do crescimento global

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SÃO PAULO – O FMI (Fundo Monetário Internacional) publicou os capítulos 3 e 4 de seu relatório WEO (World Economic Outlook) referente a abril de 2009. Como não poderia deixar de ser, o assunto abordado pelo órgão na análise é a crise financeira internacional, sua transmissão aos países emergentes e sua recuperação.

No capítulo 3, intitulado “Da recessão à recuperação: quão cedo e quão forte?”, o FMI avalia as recessões ocorridas desde o início do século passado a fim de chegar a uma conclusão sobre o cenário atual. O estudo levou a três “descobertas”:

  • Recessões em economias desenvolvidas se tornaram mais fracas e menores durante as últimas duas décadas, enquanto as expansões se tornaram mais fortes e longas.
  • Recessões associadas a crises financeiras são mais severas e duradouras do que as relacionadas com outros choques e suas recuperações geralmente são fracas, acompanhadas de pequena demanda doméstica e condições de crédito apertadas;
  • Recessões sincronizadas em diversos países são mais extensas e profundas do que as confinadas a uma única região, de forma que sua recuperação é tipicamente mais fraca e com o papel das exportações limitado.

    A partir destes três pontos, e considerando que a recessão atual é altamente sincronizada e associada a uma crise financeira profunda, o FMI conclui que o “declínio provavelmente será mais severo do que o normal e a recuperação deverá ser lenta”.

    Políticas públicas

    Ademais, o relatório do FMI indica que a redução da severidade desta recessão e o fortalecimento da recuperação dependem de medidas agressivas na política monetária e fiscal, que apóiem a demanda agregada ao mesmo tempo em que preservam a dívida pública.

    “Mesmo com tais medidas, um retorno ao crescimento econômico estável depende da restauração da saúde do sistema financeiro”, explica o órgão, acrescentando que “experiências com crises financeiras anteriores – especialmente aquelas envolvendo desalavancagem, como no Japão nos anos 1990 – sinalizam fortemente que é necessário uma ação coerente e abrangente para restaurar os balanços de instituições financeiras e para remover as incertezas acerca do financiamento”.

    Mercados emergentes

    O capítulo 4 do relatório do FMI é chamado de “Como os laços inflamam o fogo: a transmissão dos problemas financeiros das economias desenvolvidas para os mercados emergentes”. Como o próprio nome esclarece, a seção discorre sobre o contágio de economias periféricas e quais políticas podem ser adotadas para minimizar seus efeitos negativos.

    Uma das principais considerações do fundo é de que a crise transmitida para os países emergentes já alcança o pico visto durante os anos de 1997 e 1998, marcados pela crise asiática. “É claro que, nas atuais circunstâncias, as políticas deverão estar focadas em evitar um maior aumento dos problemas nos emergentes. Isso iria não comente limitar o impacto na economia real desses países como também impedir uma segunda rodada de desalavancagem global”.

    Conforme a avaliação do FMI, duas conclusões podem ser tiradas do que foi visto até agora nos mercados emergentes:

  • As economias emergentes com maior exposição a financiamentos bancários estão mais sujeitas a problemas, enquanto a velocidade e intensidade da recuperação depende dos graus de déficits fiscais e de conta corrente;
  • Os fluxos bancários para os emergentes irão sofrer fortes impactos, especialmente na Europa Central e Oriental.

    No geral, as conclusões do FMI ficam em linha com o que já vem sendo dito por analistas de diversas instituições financeiras: embora o cenário seja incomum e as perspectivas sejam incertas, é provável que esta crise financeira seja prolongada e afete todos os países, mesmo que em graus diferentes. Enquanto isso, sua recuperação será fraca e lenta.

    Cabe lembrar que o fundo irá divulgar os dois primeiros capítulos de seu relatório na próxima quarta-feira (22).