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SÃO PAULO – Parte da população brasileira condenou veementemente o acordo firmado entre o Brasil e o FMI (Fundo Monetário Internacional) nos anos do governo de Fernando Henrique Cardoso. Até o próprio PT, na época que era oposição, criticou o acordo e alas mais radicais do partido defenderam movimentos que pediam a saída do FMI.
No entanto, caso o Fundo não tivesse emprestado recursos ao Brasil no ano passado, provavelmente o país teria enfrentado uma séria crise cambial.
FMI salvou país de crise cambial
Segundo dados contidos na nota sobre o setor externo divulgado pelo Banco Central, o FMI desembolsou US$ 16,045 bilhões ao país em 2002, que por sua vez pagou US$ 4,564 bilhões referentes a empréstimos anteriores, o que resulta em entrada líqüida de recursos de US$ 11,480 bilhões. Apenas com esses recursos foi possível que a conta de capital fechasse o ano com o saldo próximo de zero.
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Um dos principais fatores que prejudicou o balanço de pagamentos brasileiro em 2002 foi o quadro sucessório presidencial. Nesse sentido, muitos investidores temiam uma brusca mudança na condução da política macroeconômica, caso um candidato de oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso fosse eleito.
Contas passaram por fortes ajustes
Com isso, as contas brasileiras passaram por fortes ajustes, com a queda dos investimentos externos e a dificuldade do governo e de empresas privadas de rolarem seus passivos, o que acabou pressionando a cotação do dólar frente ao real. Um impacto positivo foi a sensível redução do déficit em transações correntes, que caiu de US$ 23,213 bilhões em 2001 para US$ 7,757 bilhões no ano passado.
No entanto, os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 16,566 milhões, o que representa queda de 26,2% com relação aos US$ 22,457 bilhões que ingressaram no país provenientes do exterior em 2001. Na mesma direção, os desembolsos de médio e longo prazo registraram queda de 46%, recuando de US$ 34,626 bilhões para US$ 18,708 bilhões.
Grande parte desta queda pode ser explicada pela dificuldade encontrada pelo BC para rolar títulos da dívida pública, face ao menor apetite dos investidores ao risco. Desta forma, as fontes de recursos registraram queda superior a US$ 20 bilhões entre 2001 e o ano passado somente com o menor ingresso de investimentos externos e a dificuldade de rolagem, sinalizando a importância dos recursos do FMI.