FMI reduz projeção de crescimento para o Brasil para 3,0% em 2009

Instituição também espera por primeira contração anual em países desenvolvidos no pós-guerra e pede por estímulo

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SÃO PAULO – O FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou relatório nesta quinta-feira (6) em que revisa suas projeções para a economia mundial. Além de ter rebaixado a expectativa de crescimento do Brasil, os analistas do fundo revelaram visão mais negativa sobre os efeitos da crise e pediram por novas medidas governamentais.

As proporções desastrosas da crise são cada vez mais nítidas. Segundo o estudo, as economias desenvolvidas devem registrar sua primeira contração anual desde a Segunda Guerra Mundial, de 0,25% – em contraste à previsão anterior de crescimento médio de 0,75%.

O relatório também faz uma diferenciação dos efeitos sobre os países emergentes, com destaque para o leste asiático, que sofrerá menores efeitos negativos em função de sua situação financeira mais robusta, além de benefícios gerados pela melhoria dos termos de troca, por sua vez decorrência da redução dos preços de matérias-primas.

Ajustes

Aos produtores de commodities, resta o dissabor de preços que se estabilizam em patamares muito inferiores ao anteriormente esperado. Deste modo, o FMI ajustou sua projeção para os preços de petróleo de US$ 100 para US$ 68 por barril.

Inserido neste quadro, o Brasil viu sua expectativa de crescimento em 2009 ser reduzida pelo fundo em 0,5 ponto percentual, para 3,0% ao ano. Ainda assim, a redução foi inferior, em termos absolutos, à verificada na média dos emergentes (1 p.p.) e das economias mais avançadas (0,8 p.p.). Além disto, o País foi um dos poucos a não ter revisada sua projeção de crescimento para este ano – de 5,2%.

Mais estímulo

Como ponto favorável, esta mesma redução de produtos básicos alivia as perspectivas de inflação global, com projeção de variação positiva média dos preços ao consumidor em 1,4% ao fim de 2009 nas regiões desenvolvidas, abrindo espaço para políticas monetária e fiscal mais focadas na promoção do crescimento.

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Sobre essas, o FMI afirma que ainda levará algum tempo para que se sintam todos os seus efeitos, embora “as condições de mercado iniciem a responder a estas ações”, diz o relatório. Para os pesquisadores do Fundo, os mercados têm precificado prejuízos corporativos e perdas com operações financeiras muito maiores que o verificado.

“Existe uma clara necessidade de medidas adicionais de estímulo macroeconômico.(…) Políticas fiscais podem ser efetivas se bem direcionadas, apoiadas por política monetária menos restritiva e implantadas em países com espaço fiscal”, concluem os analistas.