FMI: Guerras têm custo econômico maior que crises financeiras e desastres naturais

Análise com dados de 164 países indica queda média de 7% na produção em cinco anos e impactos prolongados sobre câmbio, reservas e inflação

Gabriel Garcia

Homem observa prédio danificado após ataques israelenses em Beirute
12 de março de 2026. REUTERS/Stringer/Foto de arquivo
Homem observa prédio danificado após ataques israelenses em Beirute 12 de março de 2026. REUTERS/Stringer/Foto de arquivo

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Guerras causam perdas econômicas grandes e persistentes nos países onde há combates, com a produção caindo cerca de 7% em cinco anos, em média, e deixando cicatrizes que duram mais de uma década, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em pesquisa divulgada nesta quarta-feira.

O FMI examinou o custo dos conflitos ativos — agora em seu nível mais alto desde o fim da Segunda Guerra Mundial — e as consequências macroeconômicas de aumentos acentuados nos gastos militares em dois capítulos de seu próximo relatório Perspectiva Econômica Mundial. O relatório completo será divulgado na próxima terça-feira.

Os capítulos não abordam a guerra no Oriente Médio nem o cessar-fogo de duas semanas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite de terça-feira, mas oferecem uma visão abrangente do comportamento das economias em tempos de guerra desde 1946, além de dados sobre gastos militares de 164 países.

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Em 2024, o ano mais recente para o qual há dados disponíveis, mais de 35 países passaram por conflitos em seus territórios, e cerca de 45% da população mundial vivia em países afetados por conflitos.

“Além de seu devastador custo humano, guerras impõem custos econômicos grandes e duradouros e representam difíceis trade-offs macroeconômicos, especialmente para os países onde há combates”, disse o FMI em um blog publicado junto com o estudo.

Países envolvidos em conflitos externos podem evitar destruição física em seu próprio território e grandes perdas econômicas, mas os países vizinhos ou principais parceiros comerciais tendem a sentir o choque, afirmou o Fundo.

“Perdas de produção decorrentes de conflitos persistem mesmo depois de uma década e normalmente excedem aquelas associadas a crises financeiras ou desastres naturais graves”, apontou o capítulo do FMI.

O Fundo deve cortar sua previsão de crescimento global e elevar as projeções de inflação como resultado da guerra envolvendo o Irã, disse a diretora-gerente, Kristalina Georgieva, à Reuters na segunda-feira.

Na terça-feira, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, afirmou que a guerra resultará em algum grau de crescimento mais lento e inflação mais alta, independentemente da rapidez com que termine.

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Segundo o FMI, conflitos contribuem para a depreciação sustentada da taxa de câmbio, perda de reservas internacionais e alta da inflação, à medida que o aumento dos desequilíbrios externos amplia o estresse macroeconômico.

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