FMI: Expectativas ancoradas ajudam América Latina a amortecer choque do petróleo

O fundo destacou que a credibilidade das autoridades monetárias da região limita o impacto do conflito no Oriente Médio sobre os preços, mas alertou que políticas expansionistas inesperadas podem descolar projeções da meta

Estadão Conteúdo

Logo do FMI em sua sede em Washington  (Foto: Yuri Gripas/Reuters)
Logo do FMI em sua sede em Washington (Foto: Yuri Gripas/Reuters)

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Expectativas de inflação bem ancoradas na América Latina – resultado de avanços obtidos pelos bancos centrais da região ao longo do tempo e que reforçam a resiliência a choques externos – devem ajudar a amortecer os efeitos da alta do petróleo associada ao conflito no Oriente Médio, segundo um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Expectativas bem ancoradas ajudam a limitar a transmissão de altas nos preços da energia e de outras commodities para os preços em geral, pois ninguém espera que essas elevações temporárias se traduzam em inflação mais elevada no futuro”, diz o relatório, publicado nesta terça-feira, 26.

De acordo com o documento, embora as previsões de inflação na América Latina continuem, em média, mais distantes da meta do que nas economias avançadas, a dispersão das expectativas é semelhante nos dois grupos. Para o FMI, isso é compatível com a percepção de autoridades econômicas confiáveis, que atuam dentro de normas e limites institucionais.

O fundo, porém, alerta que essa credibilidade conquistada “a duras penas” pode ser perdida com facilidade. O estudo concluiu que uma política monetária mais restritiva do que o esperado gera ganhos modestos na ancoragem – de forma moderada e com algum atraso. Já uma política mais expansionista do que o previsto tende a produzir efeitos negativos bem mais fortes, levando as expectativas a se descolar da meta.

Para o FMI, países como Brasil, Chile e Argentina ilustram como mudanças na política monetária afetam as expectativas e trazem lições importantes. O regime monetário mais adequado depende do contexto: metas de inflação podem não ser a opção ideal quando a inflação é muito alta, embora sejam, em geral, um componente-chave de políticas voltadas à estabilidade. Isso, no entanto, não significa que o regime de metas exija uma conjuntura “perfeitamente tranquila” para ser implementado. Para o FMI, um amplo apoio institucional é essencial em quase todos os casos.