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SÃO PAULO – O diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, reconheceu nesta segunda-feira (12) que a Ásia tem um papel de “motor da economia global”, ressaltando que sua performance terá uma importância crescente para o resto do mundo. Contudo, a forte redução do fluxo de capitais e os choques externos permanecem como riscos para a região.
Em sua palestra na conferência Ásia 21, Strauss-Kahn destacou mais do que apenas o avanço econômico da Ásia: sua força em termos de coordenação da política econômica global, especialmente via G-20, também foi lembrada.
“Na minha opinião, as reformas macroeconômica, financeira e no setor corporativo que foram realizadas na última década tiveram um importante papel na resiliência da região. Então, apesar de ter sido impactada fortemente no início, a Ásia pôde se recuperar rapidamente da crise financeira global”, declarou o diretor do FMI.
De acordo com a última projeção feita pelo Fundo, a Ásia deve crescer a uma taxa de 7,75% neste ano, enquanto a economia global deve avançar 4,5%. Nesse sentido, Strauss-Kahn lembrou uma análise recente do FMI ao ressaltar que novas coordenações da política econômica global podem elevar o PIB da Ásia em cerca de US$ 250 bilhões e criar aproximadamente 14 milhões de empregos nos próximos cinco anos.
Papel maior
O diretor do FMI também defendeu uma maior representatividade da região em termos de arquitetura financeira internacional, que deveria acompanhar a crescente importância da performance asiática.
Segundo Strauss-Kahn, depois do pacote de reformas de 2008, que elevou o poder de voto da Ásia no FMI, o Fundo “agora está trabalhando em um segundo estágio, a ser completado até a reunião do G-20 em Seoul em Novembro, e que fará ainda mais para ajudar a alinhar a representação da Ásia no Fundo com seu peso na economia mundial”.
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Riscos
Porém, o diretor do FMI não deixou de lado as críticas, pedindo atenção aos governantes da Ásia, especialmente à possibilidade de choques vindos da Europa. Os principais desafios serão lidar com a forte redução no fluxo de capitais para a região e com os riscos relacionados ao superaquecimento e a bolhas de crédito e ativos, conforme ressaltado por Strauss-Kahn.
De acordo com ele, se no passado grande parte do crescimento asiático foi baseado em exportações, hoje a demanda doméstica tornou-se crucial, devido à redução do crescimento dos parceiros comerciais da região após a crise financeira global. Por fim, o diretor afirmou que é encorajador saber que já têm sido tomadas medidas para sustentar e fomentar os investimentos e o mercado local, chamados por Strauss-Kahn de “segundo motor de crescimento”.