FMI alerta para efeitos do avanço do crédito no País na vulnerabilidade dos bancos

Segundo a instituição, bancos locais têm suportado demanda extra, mas dependência de financiamento externo aumentou

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SÃO PAULO – Os fatores que pesam sobre os emergentes – deterioração inflacionária, forte fluxo de capital estrangeiro, alavancagem das empresas em alta – estão longe de ser inexistentes no Brasil. Mas o FMI (Fundo Monetário Internacional) inclui ainda outro problema a ser acompanhado de perto no País: o acelerado ritmo de crescimento do crédito.

Em seu relatório sobre a estabilidade financeira global, o Fundo aponta que há sinais de uma substancial aceleração do crescimento do crédito, em especial nas grandes economias latino-americanas. “Os empréstimos bancários em algumas economias emergentes, especialmente na Ásia e América Latina, avançaram em um ritmo mais rápido entre 2007 e 2010 do que nos cinco anos anteriores à crise”, pontuou o FMI.

Causa e consequência
O crescimento das economias domésticas, uma retração nas atividades financeiras internacionais e políticas econômicas de incentivo ao crédito foram os principais motivos para essa aceleração. “Os bancos maiores, especialmente os estatais na China e no Brasil, foram os principais responsáveis pela forte alta do crédito. Os grandes bancos nesses países expandiram seus balanços em mais de 100% entre 2007 e 2010, atingindo tamanhos semelhantes aos grandes bancos nos EUA e na Europa”, pontua o FMI.

Os bancos locais suportaram a demanda “confortavelmente” até agora – mas as vulnerabilidades também aumentaram em consequência desse processo. A dependência dos bancos de financiamento externo aumentou, assim como a alavancagem, impulsionada pelo forte movimento de emissão de dívida visto em 2010.

Apesar de liderado pelos grandes bancos, o FMI nota que os pequenos e médios bancos também aumentaram suas participações nessas vendas de dívida, especialmente no Brasil, Peru e Chile. “Com a maior dependência dos mercados de varejo internacional para financiamento, há dúvidas sobre a capacidade dessas instituições menores em se refinanciar em situações mais apertadas”.

Bolhas? 
Além disso, o Fundo destaca que esse fácil acesso a opções alternativas de financiamento pode estar afastando os bancos de um crescimento de ativos via depósitos, sugerindo que bolhas de crédito impulsionadas pelos bancos “podem estar se desenvolvendo”.

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“Os credores em economias de rápido crescimento, como Brasil e Turquia, estão dependendo menos de depósitos para expandir sua carteira de empréstimos, impulsionando a relação empréstimos/ depósitos”, diz o FMI, alertando também para a deterioração da qualidade de crédito.