Publicidade
O Fleury (FLRY3) apresentou resultados sólidos no segundo trimestre de 2026, superando as expectativas do mercado em receita, Ebitda e lucro líquido, impulsionado pelo forte desempenho da marca Fleury, crescimento disseminado entre as demais operações e uma robusta geração de caixa. Com isso, os papéis registraram a maior alta do Ibovespa, com ganhos de 9,73%, a R$ 18,95.
A companhia registrou receita líquida de R$ 2,32 bilhões entre abril e junho, alta de 14,4% na comparação anual, enquanto o Ebitda alcançou R$ 613 milhões, avanço de 15,2%. O lucro líquido somou R$ 222 milhões, crescimento de 45,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Os números vieram acima das projeções de diversos bancos. O Morgan Stanley destacou que o Ebitda ficou 4% acima de suas estimativas e 6% acima do consenso de mercado, enquanto o lucro líquido superou em 14% sua projeção e ficou 26% acima do consenso.
Na avaliação do Itaú BBA, o grupo entregou mais um trimestre “muito forte”, com destaque para o crescimento de receita acima do esperado e manutenção da disciplina operacional. O banco considera que o ritmo atual de crescimento pode levar a revisões positivas de estimativas pelo mercado. Já a XP afirmou que os resultados reforçam a qualidade da execução operacional da companhia e devem sustentar uma reação favorável das ações.
Marca Fleury segue liderando crescimento
O principal destaque do trimestre foi novamente a marca Fleury, voltada ao segmento premium.
Segundo a companhia, a receita da marca avançou cerca de 12% na comparação anual, mantendo o forte ritmo observado ao longo dos últimos trimestres. Para o Goldman Sachs, o desempenho sugere ganhos contínuos de participação de mercado mesmo em um segmento que já possui elevada penetração.
O crescimento foi disseminado em praticamente todas as operações. As marcas de São Paulo, excluindo Fleury, cresceram 27,7%, ou 12,9% em termos orgânicos, enquanto Minas Gerais avançou 19,2%, equivalente a 14,3% organicamente. As marcas regionais registraram expansão de 10,2%.
Leia mais:
Continua depois da publicidade
- Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileira
- Temporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olho
Outro destaque veio da New Links, braço de oncologia e especialidades. A unidade cresceu cerca de 16%, impulsionada principalmente por infusões de medicamentos não oncológicos. A XP destacou que o negócio começa a mostrar sinais de aceleração mais sustentável após um período marcado por forte volatilidade.
No segmento B2B, a receita avançou 12,2%, beneficiada por ganhos de participação junto a laboratórios parceiros e pelo aumento da demanda hospitalar durante o surto de influenza registrado no trimestre.
Ganhos de eficiência sustentam margens
Continua depois da publicidade
Apesar do forte crescimento da receita, o Fleury conseguiu preservar sua rentabilidade.
A margem Ebitda ficou em 26,5%, expansão de cerca de 20 pontos-base na comparação anual. Segundo os relatórios, a melhora foi sustentada principalmente pela diluição de custos fixos, ganhos de escala e redução da participação das despesas com pessoal e serviços médicos na receita.
O Morgan Stanley observou que a expansão da margem foi relativamente modesta, mas relevante diante do forte crescimento operacional. Já o Goldman Sachs ressaltou que o indicador continuou pressionado pelo processo de integração das aquisições recentes e pelos investimentos realizados nos últimos anos.
Continua depois da publicidade
A XP também destacou uma redução de aproximadamente 110 pontos-base das despesas com pessoal e serviços médicos, evidenciando a captura de ganhos operacionais.
Lucro e caixa surpreendem positivamente
Se o desempenho operacional já foi considerado forte, os resultados abaixo da linha do Ebitda ampliaram a surpresa positiva.
Continua depois da publicidade
A XP destacou que a depreciação e amortização ficaram abaixo das expectativas, enquanto a alíquota efetiva de imposto atingiu 22%, beneficiada por créditos tributários reconhecidos ao longo do trimestre. Esses fatores contribuíram para que o lucro líquido ficasse 15% acima de suas projeções.
O JPMorgan também ressaltou que menores despesas financeiras e despesas de depreciação inferiores ao esperado ampliaram o ganho observado no lucro por ação.
A geração de caixa chamou atenção dos analistas. O fluxo de caixa operacional alcançou R$ 696 milhões, alta de 42,9% na comparação anual, enquanto o fluxo de caixa livre chegou a R$ 771 milhões, beneficiado por menores investimentos em tecnologia e digital. A alavancagem encerrou o trimestre em confortáveis 1,1 vez dívida líquida/Ebitda.
Segundo a XP, a companhia gerou R$ 430 milhões em caixa no trimestre, equivalente a um yield de fluxo de caixa livre de aproximadamente 4,5%.
Além dos resultados, o Fleury anunciou a distribuição de R$ 217,8 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), equivalente a cerca de R$ 0,40 por ação.
O Morgan Stanley calcula que o pagamento corresponde a um rendimento bruto de aproximadamente 2,33%, reforçando o retorno aos acionistas em um ambiente ainda marcado por incertezas econômicas. O banco interpreta a distribuição como um sinal de confiança da administração na capacidade de geração de caixa da companhia.
Analistas seguem divididos sobre potencial das ações
Embora haja consenso sobre a força do trimestre, as avaliações sobre o potencial das ações divergem.
O Itaú BBA mantém recomendação outperform e preço-alvo de R$ 19 para o fim de 2026, argumentando que o forte momento operacional ainda pode levar a revisões positivas das estimativas do mercado.
Já a XP segue neutra. A corretora avalia que boa parte da melhora operacional já está refletida nas ações, que acumulam valorização de cerca de 15% no ano. Além disso, vê comparações mais difíceis para o segundo semestre, especialmente após a forte base de crescimento registrada em 2025 e a consolidação da aquisição da Femme.
Morgan Stanley e JPMorgan compartilham visão mais cautelosa sobre valuation. Apesar de classificarem o balanço como excelente, ambos destacam que os papéis já negociam próximos de 12 vezes o lucro projetado, limitando o espaço para uma reprecificação significativa das ações, mesmo diante da execução operacional considerada de primeira linha.

