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O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um pronunciamento em tom de campanha durante a sessão conjunta do Congresso Nacional que derrubou, nesta quinta-feira, 30, o veto presidencial ao projeto de lei da Dosimetria.
Por um placar de 318 a 144 na Câmara e de 49 a 24 no Senado, os parlamentares impuseram mais uma derrota ao governo Lula e restabeleceram a redução de penas aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Na quarta-feira, 29, o Senado já havia rejeitado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), abrindo uma crise inédita para o Palácio do Planalto.
Flávio aproveitou a troca de provocações e insultos entre bolsonaristas e petistas para adotar um tom pacificador — antagônico ao que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), costumava usar na vida pública — e acenar ao eleitorado que irá às urnas em outubro.
“Tudo o que o Brasil não precisa é desse ódio que a gente viu de cima da tribuna agora. Eu queria falar que, se for a vontade de Deus, eu vou governar este país para todo mundo, inclusive para quem me xinga daquela tribuna com um monte de mentiras e calúnias”, disse na sessão, referindo-se às menções de que teria empregado em seu gabinete familiares de milicianos.
Ele classificou as declarações como crimes, afirmou que nunca foi condenado nem teve processo criminal aberto contra si e lembrou das condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no âmbito da Operação Lava Jato.
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“A gente vai cuidar de quem precisa de verdade. Povo brasileiro, vou abraçar e vou cuidar de vocês, independentemente da sua preferência política”, afirmou, em tom pacificador, olhando para a câmera da transmissão da TV Senado.
O discurso de Flávio destoa do tom que seu pai usava enquanto deputado federal e presidente da República. Bolsonaro já chegou a dizer que iria “metralhar a petralhada”, que iria “varrer essa turma vermelha, essa cambada” para fora do país e a sugerir que servidores de órgãos federais ambientais fossem para a “ponta da praia”, local de execução da ditadura militar no Rio de Janeiro, entre outras declarações.
As pesquisas eleitorais indicam que Flávio pode enfrentar Lula no segundo turno da eleição presidencial, em outubro. Bolsonaristas vêm intensificando as críticas ao presidente, tentando ligá-lo a escândalos de corrupção e a diferentes polêmicas.