Fitch prevê avanço de 6% no PIB da China, bem abaixo do histórico recente

Agência estima exportações declinantes, aliadas a maior desemprego; juro básico pode cair para 3% ao ano

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SÃO PAULO – “A variação de 6% já é o que chamamos de aterrissagem difícil, o que significa aumento do desemprego e necessidade de resposta através de uma política agressiva”. A afirmação é de James McCornack, analista da agência de classificação de risco Fitch Ratings, e sintetiza as decorrências previstas pelo ritmo de 6% no crescimento econômico – respeitável em tempos de crise, mas baixo na comparação com a série histórica (vide 13% em 2007).

Tal pessimismo se fundamenta nas estimativas divulgadas pelo mercado. Dentre essas, destaque para a do Credit Suisse acerca do mercado de trabalho, ao projetar redução de quatro milhões de vagas no decorrer do ano passado e prever outros cinco milhões de cortes durante este ano.

Além das previsões, indicadores divulgados recentemente explicitam a deterioração da terceira maior economia do mundo, dado o recuo nas exportações nos últimos meses. Outro fator de destaque é o afrouxamento monetário previsto pela Fitch, com intensidade para deslocar a taxa básica de juro chinesa de 5,31% para 3%, no prazo de cinco meses.

Instabilidade social preocupa

“A efervescência social é uma grande desconhecida”, observou McCornack, ao enxergar a transposição das conseqüências nascidas na crise de crédito para o campo político, ao passo que o regime totalitário no país raramente enfrentou alguma grande instabilidade social.

Nesse sentido, a tendência no horizonte é incerta. As preocupações da Fitch sobre o remanejamento do mercado de trabalho explanam o viés reformista, dados os empecilhos na migração de trabalhadores industriais da costa leste para as províncias ocidentais do país – tradicionalmente agrícolas e com investimentos previstos em infraestrutura.

Por fim, ao olhar por um enfoque microeconômico, a situação não se altera em nada. Exemplificando a tendência, a China Southern Airlines – maior companhia aérea da China – reportou um “declínio drástico” na demanda durante o último ano, enquanto a construtora China Vanke, líder do país, viu suas vendas despencarem no decorrer de 2008.