Fitch pode cortar nota triplo A dos EUA mesmo com elevação do teto da dívida

Agência de classificação de risco acredita que Congresso conseguirá elevar teto da dívida, mas déficit fiscal ainda preocupa para o restante do ano

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SÃO PAULO – A agência de classificação de risco Fitch Ratings acredita que o Congresso dos EUA aprovará o aumento do teto da dívida e que um calote é um evento de chance “extremamente baixa”, mas ainda assim faz fortes alertas à economia norte-americana.

Se os políticos do país não conseguirem elevar o teto da dívida dentro do prazo esperado, ou uma crise semelhante à de agosto de 2011, a agência diz que fará uma revisão formal da nota. Na época, o país conseguiu aprovar o aumento do teto apenas nos últimos dias antes de um calote, o que levou a S&P a cortar a nota AAA do país e fez as bolsas despencarem no pregão seguinte – por aqui, o Ibovespa perdeu 8,08% no dia seguinte.

Dessa vez, o país chegou ao seu limite de endividamento no fim de 2012, quando atingiu obrigações de US$ 16,4 trilhões. Desde então, o Tesouro toma medidas extraordinárias para criar uma folga de US$ 200 bilhões, o que deve estender a situação até fevereiro.

“Na opinião da Fitch, o teto da dívida é um mecanismo ineficiente e potencialmente perigoso para forçar a disciplina fiscal”, critica a Fitch. A agência explica que o teto não impede que o governo tome decisões sobre impostos ou gastos, fazendo com que o país tenha mais obrigações do que o teto permite, enquanto não elevar esse teto impõe um risco à economia.

Problemas fiscais preocupam
A nota triplo A dos EUA não está ameaçada apenas pelo teto da dívida, mas também por conta do déficit fiscal. Os cortes de gastos automáticos, avaliados em US$ 54 bilhões neste ano fiscal e US$ 96 bilhões no próximo, foram adiados para março, como parte do acordo para evitar o abismo fiscal, mas ainda restam dúvidas sobre eles.

Se os norte-americanos não chegarem a um acordo realista de redução do déficit no médio prazo, que apoie a recuperação econômica e a confiança na sustentabilidade das finanças públicas, o país provavelmente perderá a nota triplo A, alerta a Fitch.

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A agência diz que a atual nota é explicada pelo dinamismo e potencial econômico, baixos riscos no setor financeiro, respeito às leis e excepcional flexibilidade no financiamento. Esses fundamentos estão sendo afetados pelo elevado déficit estrutural e uma alta e crescente dívida pública, alerta.