Fitch: Gestores devem se acostumar com cenário de taxa de juros mais baixa

Relatório sinaliza não esperar mudanças significativas nos volumes de recursos administrados do varejo

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SÃO PAULO – Avaliando as mudanças anunciadas pelo governo para a nova remuneração da poupança, a equipe de analistas da Fitch Ratings acredita que os gestores de recursos precisarão ter maior disposição para assumir riscos e gerenciar carteiras em um ambiente de taxas de juros mais baixas.

Contudo, a Fitch ressalta que essas mudanças contribuem para a continuidade da política de redução das taxas de juros, sendo que as medidas não apresentam grandes alterações para os gestores de recursos de varejo no Brasil.

“A Fitch não espera mudanças significativas nos volumes de recursos administrados do varejo”, diz o relatório. Na visão dos analistas, a queda na taxa de juros é um desafio real para os gestores, que enfrentarão cada vez mais a concorrência e mais pressões pelo recuo nas taxas de administração.

Fundo de renda fixa deve crescer
A Fitch aponta que sem as mudanças na poupança que apoiam a sustentabilidade dos títulos do governo federal, os fundos DI e renda fixa teriam sofrido forte impacto, perdendo recursos à medida que o Banco Central reduza a taxa de juros.

Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades de Mercados Financeiro e de Capitasi), devido a reformulação nos recursos sob gestão, ao longo dos últimos cinco anos o setor registrou uma redução de 22% nas taxas de administração dos canais de fundos DI e de 11% em renda fixa. 

Atualmente, os fundos DI respondem por 16% dos R$ 2 trilhões dos recursos sob gestão, sendo que 40% dos volumes destes fundos, ou R$ 133 bilhões, pertencem a investidores do varejo. Já os fundos de renda fixa respondem por 31% da indústria e os investidores de varejo detém 20%, ou R$ 130 bilhões de participação.

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Por fim, a Fitch ressalta que, com as taxas de administração em queda, os gestores de recursos estão estruturando novos produtos e estratégias de investimento para manter ou expandir suas receitas. As categorias de fundos de renda fixa devem crescer ainda mais diante do cenário difícil da renda variável. “Os investidores precisarão abrir mão da alta liquidez e do baixo risco em uma parcela maior de suas carteiras, a fim de buscar retornos satisfatórios a longo prazo”.