Fitch eleva ratings da Argentina, com perspectiva estável

Agência tem perspectivas positivas sustentadas em bons preços de commodities e melhora nos indicadores de confiança

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SÃO PAULO – A agência de classificação de risco Fitch elevou, nesta segunda-feira (12), o rating do IDR (Probabilidade de Inadimplência do Emissor) em moeda estrangeira de longo prazo da Argentina de “RD” para “B”. A agência também elevou a recomendação do IDR em moeda local de longo prazo do país de “B-” para “B” – ambas as notas tem perspectiva estável. 

A remoção do termo “RD” nos IDRs em moeda estrangeira representa a reestruturação de mais de 90% dos títulos de dívida em default de 2001. Na visão da Fitch, a ação representa um passo positivo para normalizar as relações com credores do país.

Já a elevação do termo de longo prazo para “B” sinaliza, segundo a agência, um relativo aumento dos níveis de renda per capita, um crescimento econômico maior nos últimos anos, uma composição do débito público relativamente mais favorável e oito anos consecutivos de superávits em conta corrente.

“As necessidades de financiamento do setor público, relativamente administráveis, a melhora das perspectivas econômicas no curto prazo, bem como a flexibilidade demonstrada para responder a choques de confiança no ambiente externo e doméstico em 2009, dão suporte à capacidade da Argentina para atender suas obrigações de dívida de acordo com o nosso horizonte de previsão”, disse Erich Arispe, diretor de Risco Soberano da Fitch.

A agência de rating prevê que o crescimento do país atinja 5% em 2010, sustentada pelos bons preços de commodities, melhoras nos indicadores de confiança e o contínuo gasto fiscal. Observa, porém, que a política fiscal argentina continua a ser bastante dependente dos ciclos econômicos. “Além disso, a realização do swap da dívida de 2010 não abre automaticamente novas fontes de financiamento, assim, a flexibilidade de financiamento continua a ser limitada”, diz a Fitch.

Crédito
Para a Fitch, a melhor avaliação de fontes de financiamento, ajustes de políticas que melhoram o quadro macroeconômico e maior transparência de dados oficiais podem impulsionar a viabilidade do crédito da Argentina. Por outro lado, “a alta dependência de commodities em termos de exportações, baixos investimentos estrangeiros em relação a outros países e episódios recentes de transferência de capital evidenciam o risco para contas externas”, alerta Arispe.