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SÃO PAULO – Em relatório analisando o cenário econômico global, a Fitch elevou a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil para 2010, passando de 7% para 7,6%, devido às políticas econômicas, ao contínuo consumo elevado e à confiança do empresário, além de uma recuperação no crescimento do crédito e forte situação de emprego – em novembro, a taxa de desemprego foi a menor desde 2002.
Pelo lado negativo, destaca-se o setor externo, uma vez que a forte demanda interna impulsiona uma retomada mais acentuada das importações. Além disso, a demanda interna também tem seu lado negativo, por estar criando pressão inflacionária, relata a agência de risco.
Ademais, a Fitch estima que o crescimento da economia para o próximo ano se desacelerará, apontando para avanço de 4,5%, por conta principalmente dos efeitos do aperto monetário e do fim das medidas fiscais anticíclicas, que se somam ao enfraquecimento da demanda externa.
Economia global
Já no cenário econômico global, os mercados emergentes continuam a superar as expectativas. A previsão de crescimento dos EUA também foi revisada para cima, enquanto a Europa surpreende negativamente.
“Apesar da significante volatilidade nos mercados financeiros e da incerteza quanto às políticas econômicas, a recuperação econômica global está procedendo conforme a Fitch estimou”, indica a agência em relatório. Deste modo, a equipe revisou para cima as expectativas de crescimento do PIB global, passando para 3,4% neste ano (contra 3,2% esperado anteriormente), 3,0% em 2011 (de 2,9%) e 3,3% em 2012 (de 3%).
EUA melhora, mas recuperação será modesta
Nos EUA, a possibilidade de uma recessão em double-dip retrocedeu consideravelmente, devido a dados econômicos mais positivos e políticas fiscais adotadas – com destaque à extensão da isenção de impostos trabalhistas aprovada no último dia 17. Também joga a favor deste cenário mais benéfico o resultado do PIB do terceiro trimestre, que superou as expectativas do mercado e da Fitch, além de um forte desempenho nas vendas do varejo.
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No entanto, a Fitch estima que apesar da melhora no cenário, a recuperação continuará modesta devido ao fraco desempenho no mercado de trabalho e no setor imobiliário. Deste modo, a agência elevou as projeções para o país em 0,6 ponto percentual em 2011 e em 2012, apontando para 3,2% e 3,3% de crescimento.
Apesar das perspectivas melhoras, a agência classificadora de risco destaca diversos desafios pela frente, que deverão necessitar de alguns anos para se resolverem, tais como o efeito de desalavancagem enquanto os empréstimos bancários continuam a reduzir, a lenta recuperação do mercado de trabalho e o fraco desempenho no setor imobiliário.
Europa em crise
Já na Europa, a Fitch enumera diversos sinais negativos que pressionam as perspectivas de crescimento da região, resultando em uma revisão para baixo nas projeções de 2010 e 2011, com avanço de 1,7% e de 1,5% da economia, respectivamente.
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Entre os pontos apontados estão a deterioração do acesso ao mercado e condições de financiamento em diversos governos, recuo na confiança do consumidor e do empresariado, o crescente custo de empréstimo para bancos, dívida soberana e empresas e a consolidação fiscal, que levará à redução da demanda e maior desemprego.
A Alemanha segue a mostrar desempenho acima da média da região, porém economias como Espanha, Irlanda, Grécia e Itália seguem fragilizadas, tendo suas projeções revisadas para baixo pela Fitch.