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SÃO PAULO – Analisando a condução da crise pelas principais economias da América Latina, a agência de classificação de risco Fitch Ratings aponta um destaque negativo: a Argentina.
De acordo com os analistas da instituição, as interferências governamentais na economia têm contribuído diretamente para a fuga dos investidores estrangeiros do país, devido às medidas “altamente questionáveis” para lidar com a crise. “Ao invés de injetar liquidez no sistema, [o governo] tem reduzido a profundidade do mercado e fundos de pensão desde 2008”, afirma a equipe de análise da agência.
A nacionalização de cerca de US$ 26 bilhões de ativos, ou 9,3% do PIB (Produto Interno Bruto) argentino tem sido a principal preocupação dos investidores internacionais afastando-os do país, ou seja, “eliminando uma importante fonte de investimento de longo prazo para as companhias”, conclui a agência.
Apesar da Anses (Administração Nacional da Seguridade Social da Argentina) manter sua participação no financiamento do setor privado, os responsáveis pela análise da agência acreditam que as medidas preocupantes tomadas pelo governo frente à crise econômica têm mantido os participantes do mercado “céticos” no que diz respeito ao longo prazo.
Falta de liquidez preocupa
Com a fuga de moeda internacional da economia argentina e a elevação da taxa básica de juros do país, o setor financeiro local tem dado maior prioridade a “ativos com liquidez”, o que tem dificultado a obtenção de crédito para companhias.
“Consequentemente, muito dos empréstimos concedidos desde outubro de 2008 ao setor corporativo tem sido feito em forma de linhas de crédito dos bancos estatais”, afirmam os analistas.
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Concluindo sua análise, a Fitch afirma que, apesar da boa posição financeira das empresas do país, devido às condições favoráveis do mercado em 2007, o contínuo pagamento de dívidas e a dificuldade de se capitalizarem, ” a liquidez pode eventualmente vir a se tornar um problema”.