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SÃO PAULO – A Fitch cortou o rating grego em três níveis, de “BB+” para “B+”, e manteve a perspectiva negativa da nota. Segundo a agência de classificação de risco, o corte reflete o tamanho do desafio do país em implementar o programa de reforma fiscal e estrutural “radical” para garantir sua solvência e, ao mesmo tempo, bases para uma recuperação da economia.
“Os riscos políticos e de implementação aumentaram, já que novas medidas de austeridade fiscal são necessárias para atingir a meta de deficit de 7,5% do PIB”, explica a Fitch, citando o mau desempenho do país em aumentar a arrecadação de impostos e um deficit acima da meta em 2010.
Novo empréstimo
“A ênfase em privatizações elevou o risco de que o financiamento junto à União Europeia e ao FMI (Fundo Monetário Internacional) seja atrasado devido aos obstáculos políticos e técnicos da venda de € 50 bilhões em ativos”, diz a agência, lembrando que a ajuda financeira é atrelada ao cumprimento de certas condições e reformas pela Grécia.
A Fitch espera que o país consiga vender ativos em 2011, mas de forma modesta, e destaca que segue confiante no compromisso do governo grego em cumprir suas obrigações. Para a agência, as incertezas sobre o tamanho e as condições desse novo pacote devem ser resolvidas na segunda metade de junho, quando termina a quarta revisão do programa de auxílio. “Um novo apoio financeiro à Grécia teria credibilidade somente se for completamente financiado até depois do final do atual programa, em meados de 2013, sugerindo a necessidade de uma alta substancial aos € 110 bilhões já acertados”.
Reestruturação suave também é default
O novo rating incorpora a expectativa da Fitch que a UE e o FMI aprovem um auxílio adicional “substancial” à economia grega, e que não haja uma “reestruturação suave” ou adaptação do perfil da dívida do país. Isso, segundo a agência, seria considerado um default. “Uma extensão da maturidade dos bonds existentes seria considerada um evento de default, e a Grécia seria reclassificada de acordo com isso”.
Caso isso ocorra, a agência alerta que a credibilidade não só da Grécia, mas dos programas de auxílio à Irlanda e Portugal sofreria um baque severo, e poderia colocar em risco a estabilidade financeira em toda a Zona do Euro. “Na ausência de um programa com credibilidade e completamente financiado pela UE e pelo FMI, o rating grego provavelmente seria rebaixado para CCC, indicando que um calote do país seria muito provável”, completa a Fitch.
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Rating grego
A última vez que a Fitch mexeu no rating grego foi em janeiro deste ano, quando o país perdeu o grau de investimento. Antes disso, havia cortado a nota de classificação de risco em abril de 2010. Já as outras duas grandes agências de rating – Moody’s e S&P – alteraram a nota grega recentemente, colocando a nota em revisão para um novo corte, no caso da Moody’s, e rebaixando-a para “B”, no caso da S&P.
Ainda segundo a Fitch, o rating de curto prazo foi mantido como “B”, mas também com perspectiva negativa. Já o teto das notas de classificação de risco do país segue em “AAA”, já que a Grécia é membro da União Europeia e, portanto, tem a mesma nota do que os demais países do bloco.
Confira abaixo a metodologia de notas das principais agências:
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| S&P | Moody´s | Fitch | Grau |
| AAA AA+ AA AA- A+ A A- BBB+ BBB BBB- |
Aaa Aa1 Aa2 Aa3 A1 A2 A3 Baa1 Baa2 Baa3 |
AAA AA+ AA AA- A+ A A- BBB+ BBB BBB- |
Investimento |
| BB+ BB BB- B+ B B- CCC CC C D |
Ba1 Ba2 Ba3 B1 B2 B3 Caa Ca C Wr |
BB+ BB BB- B+ B B- CCC CC C D |
Especulativo |