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Fitch atribui perspectiva de rating estável à emissão da OGX de US$ 2 bi em notas

Nota atribuída à emissão das notas seniores com vencimento em 2018 é de “B+/RR4”, explica a agência de classificação de risco

Por  Julio Gabriel do Souto Lopes -

SÃO PAULO – A Fitch Ratings atribuiu o rating “B+/RR4” à proposta de emissão de notas seniores sem garantia da OGX (OGXP3), com vencimento em 2018 e no montante de aproximadamente US$ 2 bilhões. A agência também atribuiu os IDRs (Rating de Probabilidade de Inadimplência do Emissor, na sigla em inglês) em moeda local e estrangeira da OGX em “B+” e o rating nacional de longo prazo em “BBB(bra)”. A perspectiva dos ratings corporativos é estável.

Segundo a agência, o rating de recuperação ‘RR4’ da emissão reflete a capacidade que a companhia demonstra possuir para se recuperar de possíveis casos de inadimplência. Ela complementa ainda dizendo que as notas refletem “os substanciais e diversificados recursos de petróleo e gás da companhia”, além de sua experiente equipe de gestores e sua capacidade projetada de dar início à produção dos blocos em águas rasas, na Bacia de Campos – estima-se que as perfurações comecem em outubro deste ano, ressalta a Fitch.

Entretanto, ela não desconsidera os fatores de risco que envolvem a empresa, tais como o potencial atraso na entrega de equipamentos essenciais e a evolução aquém do esperado dos volumes de produção. A equipe da Fitch também considera a exposição às taxas ainda não definidas de arrendamento dos equipamentos utilizados na produção.

 

Estratégia de crescimento agressiva
Inicialmente, a companhia espera financiar suas necessidades de investimentos somente utilizando os US$ 2,5 bilhões de caixa disponível, além dos recursos de proposta da emissão de dívida de US$ 2 bilhões. Não obstante, assim que a empresa der início à produção de petróleo, ela conseguirá gerar fluxo de caixa. Contudo, existem fontes alternativas de financiamento como potenciais vendas de parte dos ativos dos blocos existentes e novas emissões de ações.

Com base em março deste ano, a companhia apresenta uma posição de liquidez de US$ 2,5 bilhões, sendo que todas as concessões e atividades iniciais de exploração foram financiadas somente com os recursos provenientes de duas emissões de ações, comenta a Fitch. Com isso, a companhia espera emitir entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões em notas sem garantia, a fim de financiar o aumento da produção inicial até 2015.

A OGX estima possuir um portfólio potencial de aproximadamente 10,8 bilhões de boe (barris de óleo equivalente), além de 34 blocos de exploração, sendo que 29 estão localizados no Brasil e cinco na Colômbia, complementa a agência de classificação de risco em seu comunicado.

Alavancagem em queda nos próximos anos
Segundo a Fitch Ratings, o Ebitda (geração operacional de caixa) deverá aumentar para algo entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões no ano de 2015, com base nas projeções da agência para o preço médio do petróleo e na aplicação de alguns descontos relativos às operações da empresa. Por sua vez, a dívida deverá permanecer em aproximadamente entre US$ 3 bilhões.

Com o crescimento da geração operacional de caixa e a manutenção do endividamento, os índices de alavancagem da companhia devem mostrar melhoria nos próximos anos, prevê a agência. “À medida que a produção aumente ao longo dos próximos dois anos, a alavancagem – medida pelo índice “Dívida Total Ajustada/Ebitda” – se reduzirá dos atuais patamares para elevados patamares de um dígito”.

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A Fitch estima ainda que, após o ajuste da dívida pelos leasings operacionais em 2014 e 2015, a alavancagem deverá diminuir significativamente para abaixo de 4,0x.

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