Fique de olho: o que esperar da assembleia da Petrobras, marcada para terça-feira?

Analistas acreditam que aumento de capital será aprovado e aguardam detalhes da oferta; ações devem ter reação positiva

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SÃO PAULO – Um dos principais destaques da sessão de terça-feira (22) será a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da Petrobras (PETR3, PETR4), onde será votada a capitalização da petrolífera. Programada para ser iniciada às 15h, a AGE é considerada essencial dentro do cronograma da oferta de ações da empresa.

Em geral, os analistas ouvidos pela InfoMoney acreditam que o aumento de capital será aprovado. O analista da Gradual, Flávio Conde, resume que o evento será positivo, e acredita que tudo a respeito da capitalização será aprovado.

Expectativas
Para Eduardo Roche, chefe de gestão da Modal Asset, a expectativa é que a Petrobras divulgue as características da oferta de ações, como o preço do barril do petróleo da cessão onerosa e o montante esperado com a oferta pública.

Outro ponto que deve ser esclarecido é a questão da diluição das participações do governo e dos minoritários. “Acredito que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deve tomar uma parte da oferta para manter a participação do governo após a diluição”, comenta Roche.

O analista de renda variável da Leme Investimentos, João Pedro Brugger Martins, não acredita que deve haver nenhuma grande surpresa na AGE da Petrobras, uma vez que o plano de negócios já foi anunciado e  o aumento de capital deverá ser aprovado. “Tenho certeza que a Petrobras vai conseguir alcançar o seu objetivo na capitalização”, resume.

Por outro lado, o analista observa que essa capitalização está apertada dentro do cronograma estimado pela própria empresa, que prevê o processo até julho. Assim, Brugger acredita que o prazo da oferta pública possa ser estendido.

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Demanda pela operação
Com relação à demanda dos investidores para a oferta de ações, Roche não acredita que os atuais acionistas vão subcrever 100%, uma vez que o momento não está totalmente favorável, o que é agravado pelo porte muito grande da oferta.

Roche traça dois cenários: ou os investidores estrangeiros ficarão com medo do setor por conta dos problemas que a BP enfrentou [vazamento de petróleo em 20 de abril, que ainda não foi contido, e está levando a prejuízo financeiro e de imagem para a empresa], ou verão na Petrobras uma alternativa atraente para investir no setor, em um país que não terá uma questão regulatória muito dura, sobretudo no plano ambiental, como possivelmente ocorrerá nos EUA daqui para frente.

Brugger concorda que as condições do mercado não são as melhores para uma oferta de ações, citando a preocupação com a Europa e com a recuperação norte-americana.

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Por outro lado, o fato das ações da Petrobras estarem depreciadas frente ao índice pode levar os investidores – sobretudo os estrangeiros – a verem a oferta como atrativa.

Preço do barril
Com relação ao preço do barril, os analistas da Itaú Corretora, Paula Kovarsky, Diego Mendes e Giovana Araújo fizeram projeções em dois cenários sobre o preço do boe (barril óleo equivalente) a ser extraído pela petrolífera. Vale dizer que as estimativas foram feitas antes da divulgação do plano de negócios da petrolífera.

No primeiro cenário, os analistas projetam que a oferta da empresa seria de US$ 50 bilhões, caso o barril seja avaliado em US$ 6,00, levando em consideração que a Petrobras usaria os 5 bilhões de boe. Do montante total da capitalização, cerca de US$ 20 bilhões viriam de acionistas minoritários, de acordo com as estimativas do Itaú.

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Já no segundo panorama, o preço de US$ 7,00 por barril da commodity permitiria uma oferta em torno de US$ 60 bilhões, com US$ 25 bilhões provenientes de minoritários. Esses parâmetros permitiriam, por sua vez, uma diluição dos ganhos por ação da empresa entre 28% (no cenário de menor preço do barril) a 32% (no de maior preço), devido à maior base de ativos e pouca mudança de desempenho operacional a curto prazo.

Impacto nas ações
Para Roche, os mercados devem diminuir a pressão sobre os papéis – que vêm performando abaixo do índice este ano , justamente pela falta de detalhes e a demora na definição dos termos. Assim, com a divulgação dos termos, será possível fazer uma avaliação mais precisa sobre os fundamentos da estatal e da oferta pública.

Entretanto, Roche ressalta que até que a capitalização seja resolvida e a oferta pública termine, o desempenho da ação continuará travado. E como o mercado não está em um dos melhores momentos para captações, analisar se a oferta virá a um preço justo e a disposição de quanto o investidor irá desembolsar são pontos importantes.