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SÃO PAULO – O Bank of America Merill Lynch tem preço-alvo para as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) de R$ 49, citando como riscos o movimento dos preços do petróleo, os desdobramentos políticos e econômicos no Brasil, possível aumento de aversão ao risco em escala global e atrasos operacionais nos projetos de desenvolvimento e produção da petrolífera.
Felipe Rocha, da Link Investimentos, por sua vez, tem como preço-alvo para os papéis da Embraer (EMBR3) ao final de 2011 o valor de R$ 12,70. Os riscos envolvem valorização do real, subsídio de governos estrangeiros às companhias concorrentes, preços do petróleo (principal custo das companhias aéreas) e situação da economia em regiões-chave para a empresa.
Em setor bastante distinto, o Citigroup projeta para as ações da Natura (NATU3) preço-alvo de R$ 52 para o final de 2012. Entre os principais riscos está o fato de que a rentabilidade da companhia é estritamente ligada ao desempenho macroeconômico do Brasil e de que a execução da estratégia de crescimento traçada pode falhar com aumento da competição, por exemplo.
Preço-alvo: conceito
O preço-alvo, conforme explica a professora de Mercado de Capitais da Fundação Dom Cabral, Rita Mundim, é um dos componentes da avaliação da empresa, em que analistas partem de informações conhecidas, como os balanços anteriores das companhias, para projetar os números daquela empresa nos próximos anos.
Usando indicativos como faturamento, endividamento e plano de investimentos da companhia, projeta-se o fluxo de caixa. E, a partir dessas estimativas, o analista traz o número descoberto a valor presente utilizando uma taxa de desconto (chamada de WACC). Quais são os fatores que devem ser descontados dessa projeção? O custo do dinheiro, como a taxa de juros, e um prêmio de risco, medido pelo risco-País e pelo risco do setor em que aquela empresa opera, explica a professora.
Análise da empresa e sensibilidade
José Osório dos Santos, professor da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo explica que o risco do negócio irá considerar a empresa como um todo, em pontos tão distintos quanto a eficiência, a experiência, a carteira de negócios, a diversificação, a atuação no mercado interno ou externo, a cadeia de fornecedores ou o grau de tecnologia da companhia, lista.
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Além disso, na análise do preço-alvo está embutida também a sensibilidade do fluxo de caixa à ocorrência de eventos sistêmicos adversos, que são externos à empresa, como inflação, variação cambial e política tributária, para citar apenas três exemplos, elenca Santos. “Esses fatores devem ser adequadamente analisados, porque pode-se ter uma empresa com forte geração de caixa com base em exportações, e aí é fundamental analisar qual deve ser o comportamento da taxa de câmbio nos cenários de projeções”, declara o professor.
O preço-alvo nem sempre é alcançado
Com tal abundância de informações, o investidor deve estar se questionando em que lugar foram parar aquelas projeções do início do ano que estimavam o valor das ações PN da Petrobras ao final deste ano em R$ 49, por exemplo. Rita, da Fundação Dom Cabral, responde: “o negócio muda, o mercado muda e o faturamento muda”.
Sem nem precisar ser incitada, a professora logo dá como exemplo a petrolífera, afirmando que no momento em que a companhia anunciou o seu plano de capitalização, passou a ser necessária uma revisão das estimativas anteriores, já que o plano de investimentos seria outro, muito maior, assim como a necessidade de endividamento. “É por isso que os agentes de mercado fazem revisões nos seus preços e orientações”, completa o raciocínio.
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O acerto das projeções também depende, em parte, de setor para setor, explica Rita. O desempenho das empresas voltadas para commodities acompanha, em geral, o mercado a que atendem: existe uma relação história, nesses casos, do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) com o consumo de aço. Para novos setores, como o de educação, a ausência de histórico torna as estimativas mais difíceis.
Assimetria da informação
Além disso, o preço-alvo estimado pelo mercado está à mercê do que Osório dos Santos chamou de assimetria de informação, o que quer dizer que o investidor não tem o conhecimento completo da qualidade dos controles de uma empresa. Assim, suas projeções futuras podem utilizar como base o desempenho histórico e o crescimento corrente, mas o preço-justo do negócio pode não ser alcançado por alguns detalhes.
Como caso exemplar, está o da companhia de petróleo britânica BP. Em 2009, lembra o professor da PUC, a empresa registrou crescimento de receita e boa margem de rentabilidade. No entanto, em abril de 2010 aconteceu o vazamento do Golfo do México, que veio a ser o maior desastre ambiental na história dos EUA, mostrando falhas internas de manutenção. Como não havia acesso a esse dado, explica, as projeções ou mesmo o fator de risco utilizado na análise ficou prejudicado.
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“Existe no mercado uma assimetria de informações: de um lado a empresa, com amplo conhecimento do negócio; do outro, e apesar das práticas de governança corporativa e das auditorias, está o investidor, que por fim não tem o conhecimento efetivo do risco que está assumindo”, alerta Osório dos Santos.
Privatizações e IPOs
Além disso, mesmo quando o grau de informações é o mesmo, a forma de análise de uma empresa e a atribuição de importâncias aos fatores diverge de instituição para instituição. Por isso, apesar de em geral próximos, os preços-alvo costumam ser diferentes para cada casa de research.
Num processo de privatização, em que cada empresa apresenta um valor diferente para a companhia, fica bastante claro, por exemplo, como pode-se chegar a resultados diferentes partindo do mesmo ponto. Ou então no caso de uma oferta pública inicial de ações, como indica Joe Yoshino, professor da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração – Universidade de São Paulo).
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O método de cálculo do preço estabelecido nos prospectos de grandes ofertas de recentes, como Petrobras, Santander (SANB11) e BM&F Bovespa (BVMF3), é bastante criticado pelo professor. Além do momento de mercado, que pode não ser propício, a crítica que faz Yoshino é ao fato de que o cálculo exigido pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é muito elementar, sem necessidade de uma simulação anterior para observar o desempenho dos papéis após começarem a ser negociados, por exemplo.
Do ponto de vista técnico, o professor avalia que os prospectos de oferta de ações têm mostrado vários problemas, e que seria da competência da CVM, cujo papel é proteger o investidor e regular o mercado, tomar medidas para modernizar essas regras. “A CVM deveria ser mais exigente, com critérios mais rigorosos. Se não cumpre seu papel, o que está em jogo é a desconfiança do investidor no mercado de capitais”, conclui o professor.