Fipe revê para 0,7% sua projeção para o IPC de março

Revisão foi provocada pela desaceleração acima do esperado no ritmo dos aumentos de preços dos alimentos in natura

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SÃO PAULO – De acordo com o coordenador da Fipe, Paulo Picchetti, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) deve subir menos do que se projetava há duas semanas.
Nas palavras de Picchetti, o índice do mês de março, que será divulgado na próxima terça-feira (5), já tem “mais cara de 0,7% do que de 0,8%”.

Desaceleração nos reajustes dos in natura

A revisão nas projeções foi motivada pela forte desaceleração no ritmo de aumentos de preços dos alimentos in natura. Estes, que na segunda quadrissemana de março apresentavam alta de 2,69%, registraram alta de apenas 0,45% na terceira quadrissemana, e devem se manter neste patamar até o final do mês.

De acordo com a Fipe, os problemas de oferta destes alimentos, que vêm impactando fortemente o IPA (Índice de Preços de Atacado) agrícola, medido pela Fundação Getúlio Vargas, ainda não estão pressionando os preços para o consumidor, devendo trazer impactos apenas no mês de abril.

Como exemplo, Picchetti cita o caso da soja, do milho e do trigo, que vêm apresentando alta nos preços pagos ao produtor, enquanto os derivados destes produtos têm chegado ao consumidor com preços mais baixos.

Passagens de ônibus

A Fipe registrou, na terceira quadrissemana de março, alta de 0,53% no IPC. Somente o aumento nas passagens de ônibus municipais em São Paulo respondeu por 0,39 ponto percentual, ou 0,41 ponto percentual, se somado o aumento das passagens das lotações.
Picchetti lembrou que, “se não fosse o transporte coletivo, estaríamos falando de uma inflação de 0,12% em março”. Para o ano de 2005, a Fundação manteve a projeção inicial para a alta do índice entre 5,0% e 5,5%.

Elevação dos preços dos medicamentos em abril

O grupo Saúde, que no último levantamento registrava alta de 0,45%, mostrou desaceleração na terceira quadrissemana, com elevação de 0,39% nos preços, sobretudo por conta da queda de 0,22% nos preços dos medicamentos, fruto de promoções.
Contudo, para o próximo mês a Fipe projeta uma contribuição positiva deste grupo superior a 0,1 ponto percentual para o IPC, exatamente por conta do reajuste entre 5,89% e 7,39% nos preços medicamentos aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e que deve entrar em vigor no início de abril. Porém, o efeito do aumento deve ser sentido apenas na segunda metade do mês.