Fipe projeta inflação em torno de 2,10% em janeiro

Nova estimativa reflete os reajustes ocorridos nos transportes coletivos, alimentos e combustível; projeção de inflação em 7% no ano foi mantida

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SÃO PAULO – A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) da USP decidiu revisar novamente para cima a projeção de inflação para janeiro. No início do mês, as projeções indicavam taxa de 1,5% para janeiro, no entanto, sendo que após a divulgação da primeira prévia, a Fipe decidiu revisar para 2%.
Fipe projeta inflação de 2,10% em janeiro

No entanto, com a aceleração da inflação medida pela última prévia do IPC para janeiro, a projeção foi novamente alterada para algo em torno de 2,10% no mês cheio. Nos últimos trinta dias encerrados em 23 de janeiro, o IPC aponta inflação de 1,95%.

De acordo com o coordenador da Fipe, Heron do Carmo, o índice foi bastante afetado pelo aumento de gasolina no final do mês de dezembro e o reajuste dos transportes coletivos. Desse modo, a inflação em janeiro deve ficar bem acima da registrada em dezembro, quando o IPC ficou em 1,83%.

Alta dos alimentos contribuiu para revisão

Além disso, o ritmo menor do que o esperado quanto à variação dos preços dos alimentos também acabou influenciando na revisão da estimativa da Fipe. A alta de 3,20% registrada nos preços dos alimentos in natura nos últimos trinta dias, em função das fortes chuvas que vem causando estragos nas safras agrícolas, também contribuiu com a elevação da estimativa.

Vale ressaltar, no entanto, que a inflação de janeiro deve apontar a maior alta do ano. Mesmo com o reajuste em torno de 30% nas tarifas de energia elétrica em junho, o índice não deve ser afetado tão expressivamente, visto que o reajuste da tarifa acaba sendo distribuído em dois meses.

Inflação deve recuar ao longo do ano

Para o ano, a expectativa é de que nos próximos a inflação adote uma trajetória descendente. Na pesquisa divulgada nessa terça-feira, apenas os grupos transportes e educação apontaram variação superior ao levantamento realizado na semana anterior.
A projeção para o mês de fevereiro é de inflação próxima a 1%, já considerando um eventual aumento nos combustíveis. Essa estimativa também foi revisada para cima, pois a anterior projetava inflação em torno de 0,5%. No entanto, em março, existe a possibilidade de deflação, em função da retração na demanda diante da queda do poder aquisitivo das famílias brasileiras.
Já a projeção para o ano foi mantida em 7%, porém, depende de como os preços irão se comportar durante o período compreendido entre fevereiro e junho. A possibilidade de ocorrer uma nova revisão não foi descartada, principalmente, porque depende do que o novo governo irá conceder de reajuste no salário dos servidores públicos.