Fipe apura inflação abaixo do esperado no mês de janeiro

Índice ficou 0,10 ponto percentual abaixo do esperado, em decorrência dos reajustes abaixo das expectativas das excursões e mensalidades escolares

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SÃO PAULO – Em coletiva realizada nesta quinta-feira, o coordenador de pesquisas de preços da Fipe, Paulo Picchetti, considerou ter sido uma “boa surpresa” a não confirmação da expectativa de 0,66% para o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) no mês de janeiro.

O índice, que mede a inflação na região metropolitana da grande São Paulo, fechou o mês mostrando variação de preços de 0,56%, 0,10 ponto percentual abaixo do esperado. Na coletiva, Picchetti revelou também que, se não houver aumento nas tarifas de ônibus, a inflação deve fechar em 0,40% em fevereiro.

Impacto de viagens e mensalidades abaixo do esperado

De acordo com Picchetti, o índice abaixo das expectativas deveu-se aos reajustes abaixo do esperado dos itens mensalidades escolares e viagens.
No começo do mês de janeiro, a expectativa da fundação, com base em pesquisas de campo e de dados históricos, era de um reajuste médio de 10% nas mensalidades escolares. Entretanto, já na primeira semana do mês a fundação reviu esses aumentos para 8%. As revisões para baixo seguiram ao longo do mês, e na última semana a expectativa já era de 7%.

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Contudo, o aumento ficou num nível ainda mais baixo, de 6,16%. Com isso, a contribuição do item para a formação do item ficou 0,04 ponto percentual abaixo do esperado.

Já o item viagem (excursão), que ao longo do mês foi o que mais contribuiu para a formação do índice, fechou o mês bem abaixo do esperado. Até a quadrissemana passada, o instituto trabalhava com uma expectativa de 8% de reajuste, mas o item encerrou o mês com aumento de 0,81%.

A queda expressiva deveu-se à redução em 15% nos preços dos pacotes de viagem registrada na última semana de janeiro. Desse modo, o item acabou contribuindo com apenas 0,01 ponto percentual para a formação do índice, contra 0,06 previsto na última semana.

Na avaliação de Picchetti, as altas menos expressivas do que o esperado nas mensalidades escolares e nas viagens indicam que o crescimento da renda vem acontecendo num ritmo muito lento, o que dificulta a concessão de reajustes nos preços.

Alimentação também fecha abaixo do esperado

O grupo alimentação fechou o mês com 0,06% de aumento, o que significou uma contribuição de apenas 0,013 ponto percentual para o índice. Nesse grupo, Picchetti destacou a queda de 1,05% nos preços dos produtos semi-elaborados, citando o exemplo do frango, que ficou 3,29% mais barato.

Além disso, os preços dos produtos in natura subiram 0,76%, contra 1,07% que havia sido registrado na 3ª quadrissemana, o que significa que as chuvas de janeiro não causaram grandes problemas nesse setor.

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Transporte deve ter impacto também em fevereiro

Quanto ao grupo transportes, que apresentou variação positiva de 1,03% e contribuiu com 0,164 ponto percentual para o índice, os principais fatores foram os aumentos do metrô e dos ônibus intermunicipais. Já os combustíveis tiveram redução de preços, de 0,41% na gasolina e de 1,75% no álcool.
Picchetti lembrou que os aumentos dos transportes terão impacto também no índice de fevereiro, pois as medições para a composição desse índice já se iniciaram na última semana de janeiro.

Além disso, é esperado para esse mês um reajuste nos preços das passagens de ônibus municipais. Simulações da Fipe indicam que um aumento de 5,9% nessas tarifas contribuiria com 0,25 ponto percentual para o índice de fevereiro. Já um aumento de 17,6%, que elevaria o preço para R$ 2,00, contribuiria com 0,72 ponto percentual para esse índice.

Além dos transportes coletivos, o licenciamento de veículos e as despesas com IPTU e taxa do lixo devem contribuir com 0,2 ponto percentual para o índice de fevereiro. Assim, caso não seja concedido nenhum reajuste para as passagens de ônibus, a Fipe projeta uma inflação de 0,4% em fevereiro.

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Confira, na tabela abaixo, a contribuição de cada grupo na composição do IPC de janeiro.

Grupo Ponderação
(%)
Variação
(%)
Contribuição
(em pontos percentuais)
Habitação 32,7925 0,34 0,110
Alimentação 22,7305 0,06 0,013
Transporte 16,0309 1,03 0,164
Despesas Pessoais 12,2985 0,55 0,067
Saúde 7,0756 0,32 0,023
Vestuário 5,2893 -0,27 -0,014
Educação 3,7827 5,44 0,201
IPC Geral 100,00 0,56

Fonte: Fipe