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SÃO PAULO – Apesar do impacto da elevação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) em 1% na terceira quadrissemana de abril, o coordenador de pesquisa de preços da Fipe, Paulo Picchetti, não descarta, à princípio, que a alta do índice no final do mês confirme sua projeção inicial de 0,45%.
Na sua opinião, tudo vai depender do tempo que será necessário para que os preços dos alimentos in natura devolvam as fortes altas registradas desde o mês de março, o que pode, segundo Picchetti, se estender até a segunda quadrissemana de maio, comprometendo as projeções para abril.
Preços para os produtores sobem menos
Como argumentos para suas perspectivas, Picchetti destaca a desaceleração do IPA agrícola no segundo decêndio do mês de abril, bem como a alta de apenas 0,01% no IPR (Índice de Preços Recebidos pelos Agricultores) na segunda quadrissemana de abril.
Para ele, o IPC de abril ainda será afetado pelas altas nos preços da batata e do feijão, o mesmo não acontecendo com os preços do tomate, que contribuíram com 0,03 ponto percentual para a alta do índice nesta quadrissemana.
Infeliz coincidência
Relembrando o argumento apresentado na última semana, quando a alta do índice atingiu os 0,98%, Picchetti destaca que não se deve entender o comportamento do IPC neste mês como o estabelecimento de uma nova tendência.
Segundo ele, esta alta “é uma decorrência de uma infeliz coincidência entre o choque de oferta de alimentos in natura e o aumento dos ônibus em São Paulo, tanto que se tirarmos esses dois aumentos, o índice sobe apenas 0,24%, o que se aproxima muito da alta de 0,28% do núcleo”, completou.
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Decisão do Copom pode ser mais difícil em 12 meses
Repetindo seu procedimento usual, Picchetti aproveitou a coletiva para discutir alguns aspectos em relação à decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) em relação à taxa básica de juro, a Selic, cuja divulgação está marcada para o início da noite desta quarta-feira.
Na sua opinião, o Copom está diante de uma armadilha: Caso opte por não elevar a taxa básica, estará declarando ao mercado que desistiu de alcançar a meta de elevação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 5,1% no ano; por outro lado, uma nova elevação deverá gerar uma forte crítica, tanto por conta do desaquecimento da economia quanto pelo cenário internacional momentaneamente favorável.
Para Picchetti, a armadilha foi criada pelo próprio Banco Central, ao decidir estabelecer uma política de metas inflacionárias balisada no índice cheio, e não no núcleo, o que reduziria os efeitos de eventuais choques.
Contudo, Picchetti acredita que o Copom deverá repetir o procedimento já adotado em situações anteriores bastante parecidas, e voltará a promover uma nova elevação na taxa básica de juro, desta vez em apenas 0,25 ponto percentual.