Finanças pessoais: metas de poupança devem ser revistas periodicamente

Ao longo da vida passamos por mudanças que alteram nossa situação financeira e exigem a revisão dessas metas

Por  Equipe InfoMoney

SÃO PAULO – Nos dias de hoje, quando as pessoas são diariamente incentivadas a realizar um sonho de consumo imediato, ao invés de planejar seus gastos, poupar é cada vez mais uma tarefa para poucos. Mesmo as pessoas comprometidas em poupar regularmente podem acabar fracassando, seja porque estabeleceram metas pouco realistas de poupança, ou porque sua situação financeira mudou.

Assim como em uma dieta, não adianta você estabelecer regras muito rígidas, porque certamente irá se desanimar. Estabelecer uma estratégia de poupança programada exige perseverança e, mais do que tudo, objetivos claros e realistas. Exatamente por isso as estratégias bem sucedidas de poupança programada envolvem a revisão periódica das metas de poupança.

Ao longo da vida, todos nós passamos por mudanças significativas em nossa situação financeira, já que nossos ganhos tendem a aumentar à medida em que crescemos profissionalmente, mas o mesmo tende a acontecer com as nossas despesas. Daí a importância de se rever periodicamente suas metas de poupança, de forma a garantir que você não irá desistir no meio do caminho.

Dentre as variáveis que podem influenciar o padrão de poupança de um indivíduo podemos citar: a idade, o estágio da carreira profissional, situação civil, número de dependentes, patrimônio já acumulado, etc.

Começar é o mais difícil

Se você está começando agora o seu programa de poupança programada, a primeira coisa a fazer é montar uma planilha detalhada com seus gastos mensais. Com base nesta planilha, estime o quanto sobra no final do mês, mas seja realista, e faça esforços, senão o mais provável é você acabar vendo que não sobra nada!

O cálculo do montante disponível para poupança mensal deve ser feito com base apenas nas despesas correntes que você tem, excluindo-se gastos de consumo que não sejam absolutamente necessários. Reveja seu orçamento e estabeleça como meta poupar pelo menos 2-3% do que ganha todos os meses.

Caso isto não seja possível, estabeleça alguns cortes. Não é difícil achar “gordura” no orçamento que compense os 2-3% que pretende poupar. À medida em que se sentir confortável com o seu novo orçamento, você pode rever este percentual para cima, de forma que o mesmo passe a refletir com maior precisão sua realidade financeira.

Uma dica de ouro é assumir que o seu salário líquido é menor do que o que efetivamente tem, ou estabelecer alguma forma de investir diretamente do seu salário, por exemplo, estabelecendo um sistema de depósitos mensais em seu fundo de investimento, ou na poupança.

Para quem está iniciando a carreira

Se você está começando agora sua carreira profissional, e ainda está solteiro (a), então o melhor é começar aos poucos. Estabeleça como meta mínima de poupança algo entre 3-5% da sua renda mensal.

Em geral fazem parte deste grupo pessoas mais jovens que acabaram de conseguir sua independência financeira, e que, por isso mesmo, têm necessidades de consumo reprimidas. Neste caso é recomendável que se estabeleça inicialmente um percentual mais baixo de poupança, de cerca de 3% e, aos poucos, à medida em que essas necessidades de consumo forem sendo atendidas, o mesmo pode ser elevado até cerca de 10%.

O ideal é que, passada essa fase inicial, esse jovem consiga poupar pelo menos 5% da sua renda mensal. É importante lembrar que cada pessoa é diferente, e que esses percentuais devem ser vistos como indicadores, e não como números fixos, pois devem refletir a realidade de cada um. Alguns jovens, mesmo sendo solteiros, têm que sustentar os pais e, por isso, poupar pode ser mais difícil.

Estado civil e dependentes influenciam poupança

Com o passar do tempo esse jovem tende a crescer profissionalmente, o que se reflete na sua remuneração, mas também é possível que se case, o que pode acarretar gastos extras por um período de tempo, como por exemplo, com a organização do casamento, compra da casa própria, etc.

Por outro lado, se o cônjuge também trabalha, a renda familiar também aumenta. Neste caso é preciso rever as metas de poupança, e decidir com seu cônjuge quais as metas que pretendem manter como casal. Isso é importante, pois caso contrário, se só você poupar e seu cônjuge gastar tudo, pode surgir uma certa frustração, o que não é saudável. Em geral, no caso de casais sem filhos, o percentual recomendável de poupança varia entre 5 e 15%, sendo o mesmo aplicado sobre a renda familiar.

Essa é a época em que você deve mais se preocupar em poupar, pois com a chegada dos filhos, os seus gastos tendem a aumentar, e provavelmente você vai estar em um estágio profissional mais estável, em que aumentos significativos de renda são menos freqüentes. Com a chegada dos filhos, a capacidade de poupança desse casal deve baixar para algo entre 5 a 10%, sendo que o limite inferior se aplica aos casos em que as crianças já estão na escola, e o superior para os casos em que ainda não estão.

Poupando até a aposentadoria

Com o passar do tempo, os filhos irão terminar os estudos e se encaminhar profissionalmente, atingindo uma independência financeira, que permite ao casal aumentar o percentual de poupança mensal, sobretudo, se ambos ainda estiverem trabalhando.

Considerando que a idade em que as pessoas decidem ter filhos tem aumentado e que a independência financeira dificilmente é alcançada antes da conclusão do ensino médio ou superior, nesta fase você estará com 50 a 60 anos. Diante do aumento significativo da expectativa de vida das pessoas, ao contrário do que se poderia imaginar, o recomendável é que você aproveite a redução das despesas e maior padrão salarial para aumentar a sua capacidade de poupança.

Afinal, ainda que seja possível se aposentar com 65 anos, o mais provável é que você ainda sobreviva por mais 10 a 15 anos e nesse caso, se quiser ter uma aposentadoria tranqüila, o ideal é poupar cerca de 15 a 20% da sua renda mensal até a data da aposentadoria.

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