Fim do QE2 pode trazer correção de 10% às bolsas, diz Société Générale

Se temporada de resultados não ajudar, banco espera que fim do auxílio tenha impacto negativo nas ações, como aconteceu com QE1

SÃO PAULO – Apesar de anunciado há tempos, o fim da segunda rodada de flexibilização quantitativa do Fed – apelidada de QE2 – pode ter um efeito bastante negativo nos mercados acionários, de acordo com o Société Générale.

Em relatório assinado por Patrick Legland e Daniel Fermon, o banco francês aponta que as ações têm se mostrado bastante resistentes no ano, apesar de indicadores decepcionantes nos EUA, que vêm sinalizando uma recuperação mais lenta do que o esperado da maior economia do mundo.

O motivo por trás dessa resiliência, de acordo com o Société, são boas surpresas no front corporativo. Entretanto, na avaliação do banco, “a economia hoje parece não conseguir substituir o substancial estímulo fiscal e monetário do Fed para garantir um crescimento sustentável”.

Assim, a expectativa é que, caso haja uma decepção com as margens das empresas no segundo trimestre, o QE2 traga uma correção de 10% à renda variável nos próximos meses, “como aconteceu ao final do QE1”. 

Dólar tem caminho incerto
Além disso, o banco também traçou suas perspectivas para o dólar com o final do pesado auxílio do Fed. A enorme emissão da moeda norte-americana pelo banco central norte-americano, combinada com baixas taxas de juro levou os investidores a buscarem ativos de risco – e, consequentemente, derrubou o dólar no mercado internacional.

Entretanto, com o Fed parando de colocar moeda na economia, os investidores começam a se preocupar com o que deve acontecer nos mercados com o fim dos estímulos, em meio a uma crise fiscal na Europa e dados ruins dos EUA. Entretanto, a tendência do dólar ainda é indefinida para o Société, que afirma que a direção da divisa é “particularmente incerta”. 

Já a tendência das commodities, especialmente petróleo e metais, é de queda depois do final do QE2, segundo o banco francês.