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SÃO PAULO – Faltando apenas três meses para chegar ao fim, o mercado começa a avaliar como será a dinâmica da economia global sem o QE2 (Quantitative Easing 2) – a segunda versão do programa de aquisição de ativos do Federal Reserve, conhecido por alívio quantitativo.
Analistas apontam para uma possível ressaca do mercado em meados de junho, quando está previsto o fim do plano responsável pela injeção de US$ 600 bilhões desde meados de 2010. Com isso, começam a ser avaliados os possíveis impactos, principalmente junto ao mercado de ações, o qual, segundo um estudo do Motley Fool, apresenta forte correlação com a implantação do QE2.
Desempenho: S&P 500 (vermelho) X Ativos do Fed (azul)
Fonte: Motley Fool
Segundo o analista Alex Dumortier, da Motley Fool, não há mera coincidência nos desempenhos e a justificativa é simples: a busca do Fed por títulos derruba a rentabilidade dos mesmos e consequentemente leva investidores a procurarem mercados que oferecem maior possibilidade de retorno, apesar de apresentarem maior risco, como o mercado acionário.
Redução da base monetária
Por isso, Dumortier alerta para a possibilidade de “ressaca” do mercado quando o QE2 chegar ao fim e reduzir a base monetária norte-americana.
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Na história da maior economia do planeta, houve apenas um momento em que o mercado de ações avançou mesmo com uma queda da base monetária, entre setembro de de 1920 e janeiro de 1922.
Seletividade é essencial
Assim, o ambiente previsto é classificado como um campo minado de riscos, no qual investidores devem ser extremamente seletivos quanto à alocação de seus ativos nas bolsas de valores. O foco no valor e nas margens de segurança serão vitais para que a experiência observada na década de 20 seja repetida.
Dentre os setores mais expostos, o analista do Motley Fool destaca o bancário, principalmente o JPMorgan Chase, Citigroup, Bank of America e Wells Fargo, uma vez que estas instituições estão no “trem da alegria”, conforme classifica o analista.
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Desde o início do programa, estes bancos obtém empréstimos de curto prazo a um baixo custo para em seguida reinvestir em treasuries ou realizar financiamentos.
Fim não deverá ser abrupto
Já o economista Stephen Gallagher, do Société Générale, revela perspectiva similar à do presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, que crê na forte influência da inflação e do desemprego sobre a ruptura do QE2.
Para ambos, o fim do plano não será abruto, na medida em que o emprego apresenta evolução e a ameaça da deflação chegou ao fim. Dessa forma, “nós ainda ainda vemos alguma movimentação ao longo de 2012, provavelmente até pelo menos a metade do ano”
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Destino realizado
Entretanto, a avaliação do Citigroup, vai no sentido contrário de Motley Fool e Société Générale, ao lembrar que os estímulos monetários e fiscais devem ser utilizados apenas como pontes para encorajar o crescimento econômico em momentos de instabilidade, não sendo mais necessários neste momento.
A equipe liderada por Tobias M. Levkovich acredita que a redução dos riscos no meio corporativo são a maior prova de que os auxílios do governo devem retroceder.