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O fim da regra Pattern Day Trader (PDT) nos Estados Unidos eliminou uma das principais barreiras para investidores que desejavam realizar operações frequentes no mercado americano.
A mudança, implementada no dia 4 de junho, retirou a exigência de patrimônio mínimo de US$ 25 mil para a realização de day trades recorrentes com ações e ETFs, aproximando parte da dinâmica operacional americana daquela já conhecida pelos traders brasileiros.
Diante desse novo cenário, Fábio Trevisan, Diretor de Marketing da Webull América Latina, e Diego Correia, sócio e líder executivo de investimentos internacionais na XP, concederam entrevista ao InfoMoney para explicar como a mudança afeta os investidores e quais diferenças continuam existindo entre operar day trade na B3 e nos mercados dos Estados Unidos.
Embora a flexibilização regulatória tenha reduzido algumas barreiras de entrada, especialistas destacam que fatores como liquidez, variedade de ativos, horários de negociação e regras operacionais ainda tornam a experiência do trader bastante diferente entre os dois países.
O que ficou parecido
Durante mais de duas décadas, a regra PDT limitou a atuação de investidores com contas menores no mercado americano. Com a sua extinção, a frequência operacional deixou de ser um dos principais diferenciais em relação ao Brasil. Além disso, a utilização de ganhos obtidos ao longo do pregão também ficou mais flexível para traders que realizam múltiplas operações no mesmo dia.
Nesse contexto, Trevisan avalia que a mudança aproximou significativamente as condições de negociação entre os dois mercados. Segundo ele, investidores que operam ações e ETFs passaram a encontrar um ambiente mais semelhante ao já existente na bolsa brasileira. “As diferenças hoje praticamente diminuíram. Ou praticamente sumiram, podemos dizer assim”, afirma.
Por outro lado, Correia destaca que a mudança não significa uma equiparação completa entre os dois mercados. Isso porque o novo modelo americano passou a priorizar o monitoramento da exposição e da margem utilizada pelos investidores, substituindo a antiga lógica baseada na quantidade de operações realizadas.
Além disso, o especialista explica que a gestão de risco passou a ocupar papel ainda mais relevante na estrutura regulatória americana. “Nos EUA, o foco passa a ser margem intradiária, risco e exposição em tempo real”, observa.
Leia mais: EUA: SEC derruba regra dos US$ 25 mil para day trade e adota nova margem intradiária
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Liquidez e escala
Apesar das semelhanças criadas pela nova regulamentação, a dimensão dos mercados continua sendo um dos principais fatores de diferenciação para quem pretende operar nos Estados Unidos.
Enquanto a bolsa brasileira possui um número limitado de ativos com liquidez suficiente para operações de curtíssimo prazo, o mercado americano oferece milhares de alternativas distribuídas entre diversos setores econômicos. Como consequência, traders encontram um universo muito mais amplo de oportunidades para buscar operações.
Trevisan destaca que a diferença aparece tanto na quantidade de empresas listadas quanto na profundidade das negociações. Segundo ele, mesmo investidores focados exclusivamente em day trade encontram uma oferta muito maior de ativos negociados diariamente. “Você tem mais de 3 mil ações versus um pouco mais de 400 aqui no Ibovespa, e você vai ter centenas ali com liquidez suficiente para você fazer operações de day trade”, afirma.
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Da mesma forma, Correia ressalta que o tamanho do mercado americano cria uma dinâmica operacional distinta daquela observada na B3. Além da quantidade de ativos, o investidor passa a conviver com diferentes setores, temáticas e estruturas de negociação. “O mercado americano possui as maiores bolsas do mundo e mais de USD 43T em valor de capitalização”, destaca.
Mais alternativas
Outra diferença relevante está na diversidade de mercados disponíveis para negociação. No Brasil, grande parte do volume de day trade se concentra nos contratos futuros de mini índice e mini dólar, além de um grupo restrito de ações com elevada liquidez.
Nos Estados Unidos, por outro lado, o investidor encontra uma oferta significativamente maior de ativos. Além das ações, há opções, ETFs e contratos futuros ligados a índices, commodities, metais, moedas e até criptomoedas negociados em mercados organizados.
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Nesse cenário, Trevisan afirma que a variedade de alternativas representa um dos principais atrativos para traders brasileiros que desejam expandir sua atuação internacional. Além da maior oferta de empresas listadas, o mercado americano permite acesso a segmentos que possuem pouca ou nenhuma representatividade na bolsa brasileira. “Quando você vai para os Estados Unidos, você consegue uma diversificação, por exemplo, setores de tecnologia, saúde, robótica, aeroespacial e militar”, destaca.
Além disso, a própria composição setorial do mercado americano amplia as possibilidades operacionais. Empresas ligadas à tecnologia, inteligência artificial, saúde, robótica e indústria aeroespacial oferecem exposições que não encontram equivalentes diretos na bolsa brasileira.
Dessa forma, traders deixam de depender exclusivamente de setores tradicionalmente mais representativos na B3, como instituições financeiras, commodities e varejo. Em contrapartida, passam a encontrar oportunidades em segmentos que concentram algumas das maiores empresas globais e lideram tendências de inovação e crescimento econômico.
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Leia também: Wall Street: Autorregulador define cronograma de nova regra para day trade nos EUA
Mercado de opções
A diferença também aparece no mercado de opções. Enquanto a bolsa brasileira concentra liquidez em um número reduzido de ativos e vencimentos, o mercado americano oferece uma estrutura muito mais ampla para traders que utilizam derivativos em suas estratégias.
Além da quantidade de empresas negociadas, os investidores encontram mais datas de vencimento e uma oferta significativamente maior de strikes. Isso amplia as possibilidades operacionais para quem busca estratégias de proteção, especulação ou geração de renda com opções.
Segundo Trevisan, a diferença entre os dois mercados é perceptível tanto na liquidez quanto na variedade de contratos disponíveis. “Você entra lá nas grandes de ações ou dos grandes índices americanos, você vai ter uma quantidade enorme de strikes ali, praticamente qualquer alternativa que você buscar, você vai encontrar”, destaca.
O executivo também lembra que o mercado americano conta com contratos de vencimento diário, conhecidos como 0DTE (Zero Days to Expiration), modalidade que concentra uma parcela relevante das negociações de opções nos Estados Unidos.
Futuros além do índice
As diferenças também se estendem ao mercado futuro. Enquanto o trader brasileiro costuma concentrar suas operações em mini índice e mini dólar, os Estados Unidos oferecem uma gama muito maior de contratos com liquidez.
De acordo com ele, essa diferença vai além da quantidade de ativos disponíveis e passa também pela variedade de mercados acessíveis aos investidores. “Lá você tem centenas de ativos com liquidez nas sete categorias diferentes”, afirma.
Nesse cenário, além dos índices acionários, os investidores podem negociar contratos ligados a commodities agrícolas, metais preciosos, energia e criptomoedas. Dessa forma, eventos econômicos e geopolíticos criam oportunidades em diferentes mercados ao longo do dia.
Trevisan afirma que essa diversidade amplia significativamente o universo operacional disponível para os traders. “Aqui você está restrito a mini índice e mini dólar. Lá você tem petróleo, metal, ouro, prata, cripto, soja, milho, boi, enfim. Com liquidez”, relata.
Além disso, o executivo ressalta que os futuros americanos funcionam praticamente durante todo o dia, permitindo que operadores acompanhem movimentos globais mesmo fora do horário tradicional de negociação da bolsa brasileira.
Horários e adaptação
A flexibilidade operacional também aparece nos horários de negociação. Enquanto a B3 possui uma janela mais concentrada de funcionamento, o mercado americano conta com pré-market, after-hours e uma ampla disponibilidade de negociação em contratos futuros.
Como resultado, traders conseguem acessar oportunidades em diferentes momentos do dia, inclusive fora do horário tradicional de pregão. Esse fator se tornou ainda mais relevante para investidores que conciliam operações com outras atividades profissionais.
Segundo Trevisan, os contratos futuros americanos oferecem uma disponibilidade muito superior à observada no Brasil. “No mercado americano, você opera 23 horas por dia, sete dias por semana”, afirma.
Ainda assim, Correia alerta que a migração para os Estados Unidos exige preparação. Questões como câmbio, tributação internacional, regras de margem e características específicas da microestrutura do mercado precisam ser consideradas antes de iniciar as operações. “A migração exige adaptação real: não se trata simplesmente de replicar a estratégia usada no Brasil”, conclui.
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