Curva de juros

Fim do ciclo de alta dos juros? DIs já precificam mais aumentos na Selic

Mercado e economistas divergem acerca dos próximos passos do Copom, que hoje deve elevar as taxas de juros brasileiras para 14,25% ao ano

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SÃO PAULO – Grande parte do mercado vê como provável que o Copom (Comitê de Política Monetária) eleve a taxa básica de juros da economia brasileira de 13,75% para 14,25% nesta quarta-feira (29), acabando com o ciclo que se iniciou no fim do ano passado. Apesar de ser esta a visão preponderante, não é ela que está sendo precificada pelo mercado. 

Contudo, olhando para o mercado de juros futuros, onde investidores sempre tentam antecipar os movimentos da Selic, o contrato futuro de DI (Depósito Interbancário) para janeiro de 2016 opera atualmente no patamar de 14,27% ao ano. Como o DI é uma média da taxa em um determinado período, isso significa que a nossa taxa básica de juros deve estar pelo menos em 14,50% no fim deste ano para que o mercado financeiro acerte a sua previsão. 

Falando em linguagem clara, isso quer dizer que para a maioria dos investidores o ciclo de altas de juros do Banco Central não acaba aqui. Depois do provável aumento de 0,5 ponto percentual na reunião de hoje, o BC deve realizar outro, de 0,25 ponto percentual. Este cenário é bastante diferente do que é mostrado no Relatório Focus, que compila as previsões de economistas e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos brasileiros. A mediana dos analistas ouvidos pelo Focus esperam que a Selic termine 2015 em 14,25% ao ano, segundo o último documento, divulgado na segunda-feira (22). 

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Se quem está certo são os economistas ou o mercado apenas o próprio Copom pode dizer hoje, principalmente em seu comunicado, que a várias reuniões não muda uma palavra sequer do seu texto. O certo é que poucas vezes nos últimos tempos estivemos tão divididos acerca da direção que será tomada pela nossa autoridade monetária no futuro.