Figueiredo: Medida do BC surpreende e representa expansão monetária

Entre outros assuntos, sócio da Mauá Sekular ainda falou sobre a queda das ações de bancos e suas projeções para o PIB e inflação

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Direcionamento da liberação de recursos do compulsório para empréstimos é uma expansão e bancos reagem em queda a uma alocação que pode não ser a melhor para eles, diz Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Sekular, em entrevista à Bloomberg. Confira os principais trechos da entrevista:

“Na própria ata, BC disse bem de leve que tinha sentido flexibilizar um pouco aquelas medidas macroprudenciais feitas ao final de 2010. Ninguém imaginava que seria no dia seguinte”.

“Medidas têm alguns componentes; um deles é aperfeiçoamento do uso de capital para empréstimos, que independe um pouco do timing, tem a ver com melhora”

“A outra é relacionada a compulsórios, que são muito elevados no Brasil. Nessa linha, reduzir compulsórios tem um efeito de expansão, sim. Volume não é tão grande. A questão é que, como a liberação dos recursos foi para canalização a empréstimos, daí sim, pode ter impacto maior. Ou seja, mesmo que de forma muito marginal, ele está fazendo uma expansão”

“BC escolheu não fazer nada na taxa de juros, mas foi na direção de algum easing monetário diferente do que se imaginava a partir da Ata do Copom de ontem”

“Sem dúvida, não é uma coisa que estava nas expectativas do mercado. Foi uma surpresa”

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Sobre queda das ações de bancos hoje na bolsa

“O que pode ser é que bancos, caso não direcionem essa liberação para empréstimos, passam a depositar no BC com remuneração zero”

“Quando você direciona, mesmo que indiretamente, é algo que pode não ser a melhor alocação de capital para os bancos. É natural os bancos sentirem um pouco por conta disso”

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Expectativas de inflação e PIB

“Eleição pode ser divisor de águas, mas, olhando de hoje, nossa visão de atividade é ruim. Economia vai crescer alguma coisa como 0,5% este ano, tendo um primeiro semestre levemente negativo – inclusive podendo gerar uma recessão técnica, que são dois trimestres consecutivos de queda do PIB – e uma leve melhora no segundo semestre, um pouco mais do que leve, para conseguir gerar o 0,5% de crescimento”

“Indicadores de confiança, tanto de consumidor de serviços quando de indústria estão em níveis muito baixos. O nível de confiança da indústria está três quartos do caminho do pior nível que tivemos na crise 2008/2009, que foi quase uma situação de pânico”

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“Em 2015 PIB cresce algo como 1%, também muito abaixo do PIB potencial”

“Serão necessários ajustes, como de tarifas, que vão acabar atrapalhando um pouco a economia crescer um pouco mais”

“Inflação em nível alto, ajustes de administrados têm de ser feitos e vão puxar inflação para cima”

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“Atividade parada vai ajudar preços livres a cederem; o que tem acontecido com alimentos lá fora e aqui nos dá a impressão de que também acabe ajudando inflação”

“Nossa projeção de inflação estava mais perto de 6,5% para este ano; agora perto de 6,20% / 6,10%”

“Componente de preços livres estará mais tranquilo e administrados mais alto”

“Com certeza” projeções de PIB e inflação podem ter ajuste significativo dependendo de “quem ganhar eleições e da calibragem de política econômica que vai ser feita‘‘

“Próximo passo do BC em política monetária não depende tanto de quem vencer as eleições, mas do que vai vir a partir do novo governo”