Fiesp retoma debate da questão tributária e reivindica nova reforma

Em debate televisionado nessa quarta-feira, pela TV Cultura, presidente da Fiesp discute tributação e juros com Palocci

•

Publicidade

SÃO PAULO – Nessa quarta-feira (19/05), o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), Horácio Lafer Piva, reivindicou, em rede pública, a diminuição da carga tributária ao governo. A solicitação foi expressa durante debate televisionado para mais de 800 emissoras do país no programa “Diálogo Brasil” pelas TV Nacional, TV Cultura e TVE.

A necessidade de o país fazer uma reforma tributária mais profunda foi defendida arduamente por Piva no debate com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Fraga e Piva concordam: país precisa aprofundar a reforma

“Não só por uma questão de perda de competitividade, mas porque foram criados vícios na economia brasileira que não podem se tornar culturas”, justifica Piva referindo-se à crescente informalização da economia brasileira, que diminui a arrecadação tributária do governo.

Para Armínio Fraga, o aprofundamento da reforma tributária e um maior cuidado com as questões regulatórias são fundamentais para que a meta de crescimento de 3% a 3,5% para os próximos anos seja alcançada. “O Estado não tem recursos para investir em todos os setores que precisam de investimento”.

O ideal, de acordo com Fraga, seria desenvolver nova proposta de reforma tributária mais abrangente ainda este ano, para que o Congresso analisasse a questão até 2005. Fraga ainda reforça que a oportunidade de melhorar a qualidade dos impostos e diminuir a quantidade dos mesmos não deve ser desperdiçada.

Taxa básica de juros gera polêmica

Já em relação à manutenção da taxa básica de juro em 16% ao ano, decidida no mesmo dia em reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), Fraga considerou a posição acertada devido às incertezas do cenário externo. “Temos que lidar com o choque do petróleo e com a alta de commodities“, justifica.

Continua depois da publicidade

Horácio Lafer Piva, por sua vez, discordou. O presidente da Fiesp acredita que a decisão do Copom poderia ser de pequena redução de 0,25 ponto percentual, pelo menos. “A taxa de juro poderia estar passando por uma fase de flexibilização há algum tempo. Eu não vejo nenhum motivo para não haver um pouco mais de ousadia, para não utilizarmos um pouco mais o intervalo de metas para criar uma percepção mais positiva”, ressalta Piva.