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Fibria se “salva” na Bolsa hoje: entenda como a empresa ganha com a alta do dólar

Em dia vermelho na Bolsa, apenas 6 ações do Ibovespa têm alta hoje, entre elas as empresas de papel e celulose Fibria e Suzano

Fotografias aŽreas da Fibria Unidade Aracruz-ES.

SÃO PAULO – O dia é de “sell-off” na Bovespa nesta sexta-feira. Das 66 ações do Ibovespa, apenas 6 se “salvam”, entre elas as ações do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 44,07, +1,24%) e Suzano (SUZB5, R$ 15,61, +0,71%), beneficiadas pela valorização do dólar frente ao real, que registrava alta de 1,33%, a R$ 3,34, segundo cotação das 15h45 (horário de Brasília).

Por conta de suas variações correlacionada à moeda americana (dado suas receitas em dólar), esses papéis conseguem se distanciar do cenário de aumento de aversão ao risco da Bovespa, cuja principal índice de ações segue para sua sexta queda consecutiva. Afastadas desse mau humor, as ações da Fibria e Suzano registram nesta tarde sua terceira alta seguida – lembrando que no caso da Fibria há ainda um “momentum” positivo devido à divulgação do resultado na manhã de ontem, que foi bem recebido pelo mercado. Em relatório, o BTG Pactual ressaltou exatamente isso: um cenário “bearish” (pessimista) em real e relativamente “bullish” (otimista) nos preços da celulose devem continuar suportando a alta das ações da Fibria, que tem preço-alvo, para o banco, em R$ 47,00. 

Trazendo esse impacto aos olhos do investidor, o Citi divulgou hoje um relatório mostrando a sensibilidade das três empresas de papel e celulose listadas na Bovespa, incluindo a Klabin (KLBN11, R$ 21,10, +0,14%), à moeda americana (como pode ser visto na tabela abaixo). 

Levando as projeções a valor presente (NPV), uma desvalorização do real de 10% frente à expectativa de um dólar a R$ 3,34 do Citi, aumentaria em 21% o valor de mercado da Fibria e 14%, o da Suzano. Isso porque tal variação implicaria em mais R$ 973 milhões e R$ 963 milhões em Ebitda (geração operacional de caixa), respectivamente, a essas empresas. 

Segundo a corretora, o cenário de alta do dólar e desaceleração na produção de celulose chinesa trazem oportunidade de compra no setor. “Vemos um espaço para posição técnica na Suzano (compra) e suporte para Fibria (neutra)”, comentaram os analistas Juan Tavarez e Felipe Jiman Koh, da Citi. Eles disseram que as preocupações em relação ao segundo semestre mais fraco para a commodity foi, em parte, dissipada pelo anúncio de parada de manutenção de uma grande produtora de “hardwood” chinesa, que representa 5% da produção global.  

Sensibilidade do dólar no lucro das companhias:

Empresa – R$ MMCenário-baseSe o real cair mais 10%Ganho das empresas
Dólar para 2016*Ebitda para 2016*Dívida Bruta para 2016*% em dólarQuando o Ebitda subiráNPV (Valor Presente Líquido)Quando aumentará a dívidaNPV – dívida líquida adicional% Valor de mercado
Fibria3,344.55010.46493%8196.017 9735.044 21%
Suzano3,344.13616.05260%4553.343 9632.379 14%
Klabin3,342.76715.10855%2211.626 831 7954%
*Projeções do Citi