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SÃO PAULO – A Europa tem tomado conta do noticiário econômico nos últimos dias, tendo em vista que a Espanha pediu uma ajuda internacional de € 100 bilhões no fim de semana e a Grécia enfrentará uma eleição que pode definir seu futuro na Zona do Euro no domingo. Contudo, os brasileiros devem se preocupar mais com a China, ressaltou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ao participar em congresso internacional sobre o setor de varejo, promovido pela Alshop nesta segunda-feira (12), o político disse que a crise da Europa irá afetar o Brasil, via redução nas linhas de crédito e queda nas exportações, mas que ela não é a principal fonte de preocupação. O temor vem do fato de que a China também deve “parar seus motores”, afirma.
“Por lá, todos sabem que devem reduzir a taxa de crescimento”, ressaltou o político, que viajou à China na semana passada. O país enfrenta uma desaceleração significativa em sua economia, ao passar de um PIB (Produto Interno Bruto) de 12% ao ano para uma meta de 8% neste ano.
Mesmo que seja um crescimento invejável para os níveis de crescimento atuais na economia global, essa queda no ritmo de crescimento deverá afetar a demanda chinesa por commodities, principalmente por minério de ferro, alertou.
Varejo imune à crise
Por conta disso, o ex-presidente ressaltou que o setor de varejo não deve ser afetado por essa crise, ainda mais se levar em consideração que o modelo de crescimento atual do País está centrado no estímulo ao consumo. Recentemente, o Governo tem influenciado na redução da taxa de juros dos bancos, o que leva a uma extensão do crédito.
Dessa forma, Fernando Henrique acredita que o crescimento no consumo terá continuidade, mas não no mesmo ritmo que nos últimos anos, já que o momento para a economia global ainda é ruim.