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SÃO PAULO – O rumo da taxa Selic e da Fed Funds Rate será decidido nesta quarta-feira (27). Mas são poucos os que preveem quaisquer alterações nos juros básicos brasileiro e norte-americano. Ao invés disso, os olhos estão voltados muito mais ao tom dos comunicados do que às deliberações em si.
Após dois dias analisando suas respectivas conjunturas macroeconômicas, tanto o comitê liderado por Ben Bernanke quanto o presidido por Henrique Meirelles anunciarão o resultado de suas discussões. A expectativa consensual do mercado é de que ambos optem por manutenção dos juros, cada qual por seus motivos.
Fed: decisão dada como certa…
“O Fomc não deverá alterar sua política monetária, mantendo a taxa básica entre 0% e 0,25% ao ano”, dizem os analistas do Santander, em uma opinião que ecoa também entre equipes de outros bancos e corretoras.
Para o Société Générale e também para os analistas da Standard & Poor’s, a autoridade norte-americana deverá manter uma postura cautelosa até uma sinalização mais clara de uma recuperação sólida dos indicadores econômicos, sobretudo os relacionados ao mercado de trabalho.
O cenário inflacionário, que por ora mantém-se benigno nos EUA, permite que o time de Bernanke possa manter seu compasso de espera – em dezembro passado, o índice de preços ao consumidor mostrou alta de 0,1%, abaixo do esperado pelo mercado. Paralelamente, além dos fatores macroeconômicos per se, a equipe da LCA atenta também para variáveis políticas que podem influenciar na tomada de decisões do colegiado.
“O quadro político norte-americano tem suscitado preocupação sob vários aspectos: Obama vem perdendo popularidade; vem crescendo a insatisfação com diversas iniciativas oficiais, como a reforma do sistema financeiro; e a renovação do mandato de Bernanke à frente do Fed, que embora deva sair nos próximos dias, vem se arrastando no Congresso”, diz a LCA. Optar por um aperto monetário em meio a tal cenário seria, no mínimo, um tanto quanto arriscado.
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…comunicado, nem tanto
Se a decisão do Fed já é dada praticamente como certa pelo mercado, o comunicado que lhe acompanha traz um pouco mais de discussão entre os analistas. A expectativa majoritária é de que o documento traga a mesma redação que os anteriores, isto é, “os juros deverão permanecer excepcionalmente baixos por um período prolongado de tempo”.
“A dúvida ficará apenas por conta de como será tratada a questão dos estímulos monetários, que tem sido alvo de divergência nas últimas reuniões”, afirmam os analistas do Santander, cujo palpite vai para que “isso tampouco seja alterado”. Outros, em contrapartida, arriscam que, nos bastidores, o time presidido por Bernanke já vem planejando a remoção dos programas de estímulo à liquidez.
Desta forma, nenhuma decisão concreta provavelmente será tomada, mas sinalizações poderão pontuar o comunicado enviado ao mercado.
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Por aqui, Copom
Por aqui, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central também anunciará sua decisão, que, segundo as projeções dos analistas, será pautada por nova manutenção da taxa Selic, atualmente no patamar de 8,75% ao ano. “Em que pese as pressões pontuais nesse início de ano, o ambiente inflacionário permanece tranquilo”, afirma a equipe da SulAmérica.
Entretanto, tal tranqüilidade não deverá perdurar por muito tempo. “A inflação corrente tem acelerado, as expectativas dos mercados vêm registrando alguma elevação e, ademais, recentemente a cotação do dólar passou a subir”, alerta a LCA, que aposta em um início do ciclo de elevação do juro básico brasileiro no terceiro trimestre desse ano. Mas a previsão da LCA está longe de ser consensual. A equipe do Santander, por exemplo, prevê aumentos na Selic a partir de junho.
Se os analistas não chegam a uma projeção em comum, o mercado se volta ao comunicado – daí o destaque que as palavras redigidas pelo Copom terão. Qualquer mudança na redação da nota será minuciosamente analisada, com economistas e investidores tentando prever de modo mais preciso o rumo do juro básico no País.