Economia dos EUA

Fed vai mesmo acabar com o QE3? Economistas apostam que isso não ocorrerá

Fundador da maior gestora de renda fixa do mundo ressalta que inflação não é alarmante; já LCA Consultores vê risco crescente de recessão como fator para seguir com programa

Por  Lara Rizério -

SÃO PAULO – Com um otimismo cauteloso em relação à economia, o Fomc (Federal Open Market Committee) revelou, na última quarta-feira (20), que pode rever o programa de compra de ativos no valor de US$ 85 bilhões, destacando a melhora das condições macroeconômicas nos EUA. 

Entretanto, de acordo com Mohamed El-Erian, fundador da Pimco – maior gestora de recursos do mundo -, não haverá um risco iminente do programa de afrouxamento monetário, conhecido como o QE3 (Quantitative Easing) ser interrompido em breve. Esta posição também é compartilhada pela LCA Consultores avaliando que, com o risco de recessão aumentando no país, a probabilidade de interrupção do programa é mínima. 

A Ata do Fomc, que mexeu negativamente com os mercados nas duas últimas sessões, levou em conta que os benefícios esperados pelo QE podem ser ofuscados pelo balanço de custos e riscos, um desafio que vem sendo enfrentado entre boa parte das economias ocidentais e por países emergentes. 

Pimco: duas razões para manter QE3
Como resultado, as autoridades monetárias destes países acabaram assumindo um papel de protagonismo em um cenário de grande conflito político. “Assim, eles perseguem muitos objetivos, sem ter os instrumentos necessários para tanto”, afirma El-Erian. Desta forma, avalia, quanto maior o período de tempo em que a incerteza econômica dos EUA persistir, maior a escala de custos e riscos a ser enfrentado. No processo, a credibilidade do Fed e autonomia política são interrogados. 

“Devido a isso, alguns estão interpretando as últimas minutas do Fed como um sinal de que o FOMC pode procurar um fim precoce para QE. Embora possível, isto não é provável, por duas razões”, avalia El-Erian. 

A primeira razão é devido ao mercado, que não deve forçar o Federal Reserve a abandonar o programa de flexibilização monetária. Além disso, avalia El-Erian, o curso da política monetária do país não é afetado pelos movimentos cambiais, assim como é pouco provável que a taxa de inflação alcance níveis alarmantes. 

O segundo motivo é que, ao contrário do Japão, que sucumbiu à pressão política, os Estados Unidos possui uma alta polarização política, que não está em posição de forçar uma mudança do Fed. “Não só eles são muito ocupados com as questões fiscais, como eles também estão aliviados que o Fed atrai tanto o foco da política econômica”, afirma o gestor.

Desta forma, a única maneira para que o Fed interrompa o QE em breve é se a taxa de crescimento e o emprego acelerem consideravelmente. Assim, o Congresso teria que incentivar o crescimento, ao invés de trazer ventos contrários. Desta forma, a autoridade monetária enfrenta uma escolha bastante complicada nas reuniões políticas dos próximos meses: ou continuar usando os instrumentos imperfeito de política monetária, enfrentando maiores riscos à frente ou de parar sua política e prejudicar o crescimento econômico.

Já para LCA, risco de recessão ameaça fim do QE3
De acordo com a LCA Consultores, apesar do otimismo cauteloso com a economia revelado na ata do Fomc e a provável revisão no programa de ativos, a probabilidade crescente de recessão nos Estados Unidos diminuiu a possibilidade de interrupção do QE3.

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O modelo econômico feito pela LCA mede a possibilidade dos Estados Unidos entrarem em recessão nos próximos meses, em função do Philadelphia Fed Index (que mede o crescimento dos negócios) e do índice de indicadores antecedentes, ambos mostrando piora nos últimos meses.

Com isso, a evolução do risco de começar uma recessão em seis meses tem subido, ainda que de forma não linear, ao longo de todo o ano. O risco é de 19,7%, um pouco maior que a média histórica, de 17,5%. 

“O ‘risco de recessão’ pode não ser alto, mas está subindo aos poucos. Neste ambiente, apesar das discordâncias dentro do Fed a respeito da conveniência de manter o QE3, o estímulo monetário muito provavelmente não será reduzido”, conclui a LCA Consultores.

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