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Como já esperado pelo mercado, o Federal Reserve cortou a taxa básica de juros dos EUA em 0,25 ponto percentual, para uma faixa de 3,75% a 4,00%.
Contudo, a decisão não foi isenta de surpresas. O corte, que incluiu um aceno para os limites de dados que o banco central enfrenta durante a atual paralisação do governo federal, atraiu divergências de dois formuladores de política monetária em “extremos”.
Stephen Miran, o último indicado por Donald Trump, defendeu um corte maior de 0,50 ponto. Já presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, votou por nenhum corte, dado o patamar atual de inflação.
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Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, ressalta que essa divergência mostra uma divisão interna sobre o ritmo ideal de flexibilização monetária e deve ser um dos temas principais na ata.
As divergências marcaram apenas a terceira vez desde 1990 que autoridades discordaram tanto a favor de uma política monetária mais frouxa quanto de uma mais rígida na mesma reunião.
Cabe destacar que autoridades do Fed reconheceram os limites de seu processo de tomada de decisão impostos pela paralisação do governo, datando sua visão da taxa de desemprego para agosto — o mês da última divulgação oficial de empregos — e observando que “os indicadores disponíveis sugerem” que a economia continuou crescendo em um ritmo moderado.
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Segundo formuladores de política monetária, a economia vem emitindo sinais contraditórios, com uma forte onda de investimentos empresariais sugerindo força subjacente, mas com contratações desacelerando.
A inflação não aumentou tanto quanto o esperado inicialmente devido aos novos impostos de importação do governo Trump, mas, ainda assim, subiu de cerca de 2,3% em abril para aproximadamente 2,7% em agosto, de acordo com a última estimativa oficial divulgada para o índice PCE antes da paralisação. O Fed usa o PCE para definir sua meta de inflação de 2% e, nas projeções divulgadas em setembro, formuladores de política monetária esperavam que ele subisse para 3% até o final deste ano.
Eles esperam que esse aumento nos preços diminua ao longo do tempo, enquanto a preocupação com a força do mercado de trabalho aumentou.
“Os riscos de baixa para o emprego aumentaram nos últimos meses”, disse o Fed em seu novo comunicado de política monetária.
