Fed quer coordenar esforços, mas estímulo fiscal pode ser como um cobertor curto

Gasto adicional de US$ 150 bi é pouco significativo frente ao total, mas déficit orçamentário preocupa há tempos

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SÃO PAULO – A fim de ampliar os esforços para evitar que a economia norte-americana adentre em um período de recessão, Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, afirmou ao Congresso dos EUA na quinta-feira (17) que um estímulo fiscal de cerca de US$ 150 bilhões seria recomendável para ajudar a reacender o crescimento econômico do país.

Inicialmente avesso à idéia de permitir que pressões inflacionárias se intensificassem no país, o chairman se mostra agora preocupado com a possibilidade de uma recessão, e tenta coordenar os esforços da autoridade monetária com a adoção de políticas de caráter expansionista pela autoridade fiscal do país.

Com efeito mais veloz sobre a economia e institucionalmente mais simples de conduzir, a política monetária é acionada com freqüência para estimular a atividade econômica. Alan Greenspan (chairman do Fed por 18 anos, sucedido por Bernanke), por exemplo, chegou a reduzir o juro básico norte-americano a 1,0% ao ano em meados de 2002, frente a 3,5% em 2001. Ainda assim, a busca pela coordenação ótima entre políticas monetária e fiscal costuma ganhar atenção em períodos de crise e desequilíbrio.

Estímulos fiscais na história recente

A história econômica recente sugere que, em outros períodos de recessão, foram acionadas medidas que remontam às propostas por John Maynard Keynes para recuperar a economia norte-americana após a Crise de 29.

Durante a recessão de 1982, estímulos fiscais expressivos foram utilizados, tanto pela redução da carga tributária, como por significativo aumento nas despesas do governo. No início da década de 1990, novamente adotou-se a redução na carga tributária (não tão expressiva quanto na recessão anterior), combinada a um forte aumento dos gastos.

O governo atual já recorreu a estímulos fiscais entre 2001 e 2003, no início da primeira gestão de George W. Bush. Apesar de inicialmente ter foco na redução de impostos, o programa fiscal passou a incluir maiores despesas principalmente após os ataques de 11 de setembro, quando os gastos com defesa se acentuaram ao ponto de passar a representar cerca de 18% das despesas totais do governo (compostas por outras 20 classes de gastos, além da defesa).

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Cobertor curto

Hoje, a sugestão de Bernanke para a autoridade fiscal norte-americana é de que seja injetado na economia, através de gastos públicos, pelo menos US$ 60 bilhões a US$ 70 bilhões no início de 2009, com a previsão de que os efeitos sobre a economia se dariam de forma significativa já na segunda metade daquele ano.

Nas recessões anteriores, os estímulos fiscal e monetário contribuíram para retirar a maior economia do mundo da recessão, de forma que as expectativas de um esforço conjunto entre as autoridades econômicas do país poderiam ser positivas quanto à sua eficácia, não fosse pelo já deteriorado quadro fiscal norte-americano.

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Os déficits gêmeos dos EUA (público e externo) há tempos preocupam especialistas, tanto que, mesmo ao solicitar o aumento de gastos, Bernanke alertou ao Congresso sobre os riscos de expansão do déficit orçamentário nos próximos anos.

Se comparados aos gastos totais do governo norte-americano em 2007, os cerca de US$ 150 bilhões solicitados por Bernanke não alterariam significativamente o saldo final, mas contar com as contas públicas norte-americanas para recuperar o país pode ser como contar com um cobertor curto para dormir em uma noite fria.